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As pirâmides mais antigas do mundo foram recentemente descobertas na Rússia?

(Last Updated On: 22 de maio de )

No início deste mês de maiouma página no Facebook chamada “Conexão UFO” divulgou que pirâmides recentemente encontradas na Rússia, mais precisamente na Península de Kola, seriam as mais antigas do mundo (arquivo)! Além disso, foi mencionado que a descoberta poderia provar que uma antiga e desconhecida civilização teria existido naquela região.

Publicação da página “Conexão ” no Facebook

A publicação, que já obteve mais de 3,5 mil compartilhamentos e 12 mil reaçõesredireciona o usuário até um site homônimo, onde é mencionado (arquivo):

As escavações arqueológicas próximas às pirâmides de Kola foram retomadas recentemente e, de acordo com estimativas preliminares, elas teriam, no mínimo, o dobro da idade das construções egípcias. As enormes lajes de pedra teriam sido construídas entre 9.000 e 40.000 anos atrás. Outro fator interessante nas construções é que todas as pirâmides estão posicionadas na direção Leste-Oeste, assim como as pirâmides de Gizé, no Egito.

Texto publicado no site “Conexão UFO”

O texto também cita um homem chamado Valery Demin, do Instituto de Geofísica Polar, que teria feito descobertas, tais como: um antigo observatório rochoso em forma de labirinto, um reservatório de água de 15 metros, ruínas megalíticas, paredes claramente cortadas de origem antropogênica, entre outras estruturas.

A Citação do “Mito de Hiperbórea”

Tudo isso confirmaria a ideia de que alguns dos ancestrais da humanidade eram da região polar, e que um desastre natural teria os forçado a migrar. Nesse sentido, o texto faz um paralelo com o “Mito de Hiperbórea”, definido como uma civilização desconhecida, mas altamente desenvolvida, que possuía, inclusive, conhecimentos sobre a energia atômica! Segundo o texto, as descobertas pareciam confirmar que esse tal “Mito de Hiperbórea” seria real e se encontraria na Península de Kola.

Entretanto, será que as pirâmides mais antigas do foram recentemente descobertas na Rússia? As descobertas confirmam que uma antiga civilização desconhecida, mas altamente avançada, habitou a Península de Kola? Descubra agora, aqui, no E-Farsas!

Verdadeiro ou Falso?

Falso! O texto publicado pelo site “Conexão UFO” e disseminado pela página de mesmo nome, no Facebook, é uma completa bagunça. Para começo de conversa, nenhuma pirâmide foi recentemente descoberta na Rússia e, além disso, a foto utilizada retrata apenas duas colinas nas Ilhas Faroé – um território autônomo da , localizado no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia.

A seguir vamos explicar direitinho cada ponto dessa história para vocês!

A Foto das Supostas Pirâmides na Rússia

Demorou um pouco para acharmos a localização dessas duas “estruturas”, visto que a busca reversa de imagens, no Google, está repleta de resultados rementendo incorretamente a Península de Kola. Conforme dissemos acima, as fotos não são de eventuais pirâmides na Península de Kola, mas de duas colinas nas Ilhas Faroé.

Confira abaixo um comparativo entre a imagem, que foi divulgada pelo site “Conexão UFO”, e essas duas colinas:

Comparativo entre a imagem divulgada pelo site “Conexão UFO”, e as duas colinas localizadas nas Ilhas Faroé.

Confira também uma outra foto dessas duas colinas, mas de um outro ângulo:

Foto mostrando as duas colinas, mas de um outro ângulo.

Portanto, não há nenhuma pirâmide que tenha sido recentemente descoberta na Rússia, tampouco nas Ilhas Faroé! São apenas e tão somente colinas.

Um Homem Chamado “Valery Demin” e a Fantasia Disseminada ao Longo do Tempo

Capa do livro “Selective Remembrances: Archaeology in the Construction, Commemoration, and Consecration of National Pasts”

Como se não bastasse a foto ter sido tirada do seu contexto original, a menção a um homem chamado “Valery Demin”, do Instituto de Geofísica Polar, é ainda pior. Embora realmente exista um pesquisador com esse nome, nesse instituto, lá na Península de Kola, ele não possui nenhum envolvimento nessa história. Isso porque a referência aqui é ao filósofo Valery Nikitič Demin, que faleceu em 2006!

Segundo um capítulo do livro “Selective Remembrances: Archaeology in the Construction, Commemoration, and Consecration of National Pasts” (páginas 52 a 59), no final do ano de 1997, a mídia russa noticiou uma expedição “científica” chamada, peculiarmente, de “Hyperborea-97“. O objetivo dessa expedição era testar uma hipótese relacionada ao “povo branco mais antigo do mundo”. Adivinhem quem liderou a expedição? O filósofo Valery Nikitič Demin.

Ah, um detalhe! Conforme vocês já devem ter percebido, existe todo um contexto de raça superior relacionada a Hiperbórea, não somente no âmbito tecnológico! Contudo, não abordaremos esse aspecto neste artigo.

Continuando…

Uma revista chamada “Nauka i religija” (“Ciência e Religião”, em português) publicou informações sobre as “sensacionais” descobertas em agosto daquele ano, quando a equipe liderada por Valery encontrou uma “gigantesca figura humana com braços estendidos” num penhasco e as “ruínas megalíticas de um observatório astronômico”. Então, a revista fez um grande estardalhaço, dizendo: “Hiperbórea foi encontrada!

Além disso, também houve relatos de “alguns símbolos antigos semelhantes a escritos druíticos” (ou “runas”) daquilo que seria “o mais antigo sistema de escrita da humanidade”, de um “povo que teria a capacidade de voar com a ajuda de alguns equipamentos”, e até mesmo de que “esse povo teria desenvolvido uma arma atômica de destruição em massa”!

Houve outras expedições nos anos seguintes (há quem tenha contado e teriam sido nove), mas, conforme vocês devem imaginar, nunca deu em nada.

A Completa Ausência de Provas

Com exceção de relatos altamente inflamados, nem Valery Demin, nem seus seguidores foram capazes de publicar comprovações de suas ideias. Não houve quaisquer ilustrações profissionais, nem uma cronologia bem estabelecida ou qualquer descrição cultural minimamente coerente com as tais “descobertas”.

Diga-se de passagem, nenhuma escavação foi feita até hoje. O que tivemos até hoje foram registros fotográficos de algo semelhante a um “terraço rochoso”, que se estendia ao longo de uma colina. Contudo, fantasiosamente, Valery, que não era arqueólogo ou tinha qualquer formação científica, alegou que as estruturas encontradas retratavam um “observatório antigo”, “um reservatório sagrado”, e assim por diante.

Algumas Fotos Para Ilustrar

Abaixo, vamos mostrar para vocês o que seriam essas tais “pirâmides” e “ruínas megalíticas” supostamente criadas por uma “antiga, desconhecida, mas altamente desenvolvida civilização”. Alternativamente, vocês podem conferir muitas outras fotos, clicando aqui.

Foto mostrando uma mera rocha em formato piramidal, mas que, para alguns, seria uma estrutura criada por uma antiga civilização desconhecida.

Mais uma foto mostrando uma mera rocha em formato piramidal, mas que, para alguns, seria uma estrutura criada por uma antiga civilização desconhecida.

Outra foto mostrando meras rochas em formato piramidal, mas que, para alguns, seriam estruturas criadas por uma antiga civilização desconhecida.

 

E mais uma foto mostrando uma mera rocha em formato piramidal, mas que, para alguns, seria uma estrutura criada por uma antiga civilização desconhecida.

Na verdade, tanto as “pirâmides” quanto o “reservatório sagrado de água”, e as tais “ruínas megalíticas de um observatório astronômico” são formações naturais, sem quaisquer sinais de atividade humana envolvida na criação ou modelagem de tais estruturas.

Foto mostrando uma estrutura natural, mas que, para alguns, seria um reservatório artificial criado por uma antiga e desenvolvida civilização desconhecida.

E a Tal “Gigantesca Figura Humana”?

A tal “gigantesca figura humana”, por exemplo, também é apenas uma formação natural que acabou sendo apelidada de “Rocha de Kuyva“. Embora haja toda uma lenda local atribuída a rocha, não há nenhuma comprovação que se trate de uma figura humana esculpida por civilizações do passado.  Vemos uma figura humana devido a um fenômeno chamado “pareidolia” (clique aqui para ver outro ótimo exemplo).

Por fim, incisões em rochas interpretadas como “símbolos alfabéticos paleolíticos” teriam sido feitas por geólogos, não por civilizações antigas.

A tal “gigantesca figura humana”, por exemplo, também é apenas uma formação natural apelidada de “Rocha de Kuyva”.

Portanto, se vocês acreditaram no que foi publicado pelo site “Conexão UFO”, vocês foram enganados. Não há ruínas megalíticas de uma antiga civilização avançada, reservatórios artificiais de água, tampouco geoglifos. Novamente, tratam-se de formações absolutamente naturais.

Na época, o Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências propôs ajudar Valery Demin ao disponibilizar arqueólogos profissionais, mas ele recusou a ajuda. Para ele era mais conveniente empregar entusiastas amadores, e sua equipe era composta basicamente por ufólogos, médiums e ocultistas.

Ao analisar as “descobertas” de Valery, especialistas descartaram que se tratasse das ruínas de alguma civilização antiga. Valery ficou estarrecido, e acusou seus críticos de falsificações e de terem falhado na compreensão da “essência da questão do matriarcado”. Não nos perguntem o que ele quis dizer com isso.

Uma Expedição Realmente Científica Realizada em 2000

Todo o frenesi midiático gerado por Valery Demin e sua trupe levou as autoridades locais a convidarem quatro PhDs de Moscou – especialistas em biologia, geologia, e nos campos militar e técnico, para que pudessem verificar se os traços da chamada Hiperbórea tinham sido realmente encontrados.

O Registro de um dos Especialistas: Não Foi Dessa Vez!

Permitam-me admitir, sendo um sonhador, certamente gostaria de encontrar vestígios de uma protocivilização. Quando entrei no istmo entre os Lagos Lovozero e Seydozero, através da trilha de bétulas douradas, vi uma estrada feita de enormes placas, restos de alguns edifícios gigantescos e arcos misteriosos de passagens subterrâneas, fiquei surpreso. Pelo amor de Deus, de onde tudo isso veio num lugar tão vazio de difícil acesso? Por certo tempo, acreditei – sim, que aqueles poderiam ser restos de uma civilização antiga! No entanto, infelizmente… não encontramos vestígios de Hiperbórea, apesar de toda a nossa diligência…

Quando examinamos a área mais de perto, entendemos como a estrada de placas enormes havia se formado. Fato é que a massa da montanha é feita de folhelhos de grafite. Desde tempos imemoriais, as rochas estavam sendo corroídas. A água entrava em fendas e os blocos geométricos planos eram gradualmente separados. Cobrindo um ao outro, esses blocos deslizaram até o fundo do lago e formaram a estrada. Observando atentamente a encosta rochosa, é possível discernir traços de descida desses enormes blocos…

Então, chegamos até a imagem de cem metros de “God and Seer” e ficamos chateados. Existem duas falhas (uma vertical e uma horizontal) na rocha, acima das quais há um terreno plano coberto de musgo. Tendo imaginação suficiente e olhando à distância, pode-se levar a crer que seja a figura de homem. No entanto, ao se aproximar fica claro que é apenas um conjunto de rachaduras, ou seja, um fenômeno natural, não uma criação de mãos humanas ou alienígenas.”

Valery Demin e o Cosmismo

Durante o período da União Soviética, Valery lecionou sobre ateísmo, lutou contra a “filosofia burguesa” e, como hobby, foi em busca do lendário “Pé-Grande” e escreveu histórias de ficção científica. No final dos anos 1980, ele se “reinventou” e começou a promover as ideias de um movimento russo chamado “Cosmismo” – a versão russa do Transhumanismo. Ele também favoreceu os mitos neopagãos contemporâneos dos primeiros eslavos e da civilização hiperbórea.

Na virada do século, ignorando a expedição que o havia refutado, Valery publicou uma série de livros, nos quais ele interpretava o folclore russo e o folclore de muitos outros povos acriticamente como fontes autênticas de conhecimento histórico. Assim sendo, ele assegurou a seus leitores que a “civilização mais antiga do mundo”, a tal Hiperbórea – terra natal de toda a humanidade – era realidade.  E, por mais incrível que possa parecer, nos seus “estudos” ele contou com o apoio de autoridades públicas. Suas “descobertas” na península de Kola, inclusive, chegaram a ser anunciadas pelo então canal de TV russo “ORT” (atualmente “Channel One”), em 22 de novembro de 2002.

Enfim! Há muito o que ser falado sobre Valery Demin, e o quão suas ideias eram totalmente absurdas e fora da realidade, mas ficaria inviável fazê-lo neste artigo.

O Engodo Continuou com a Morte de Valery Demin

Um homem pode morrer, mas suas ideias, por mais que sejam absurdas, nem sempre morrem com ele. Prova disso, é que em 2007, novamente, uma parte da mídia russa voltou a associar a Península de Kola com o “Mito de Hiperbórea”. Houve uma nova expedição e, dessa vez, ao analisar duas elevações, o responsável pelo engodo foi um cidadão chamado Yuri Kudinov. Embora não tenhamos encontrado sua formação acadêmica, nem todos os nomes/formações acadêmicas das demais pessoas da expedição, eis o que Yuri alegou para um canal de TV russo chamado “Culture”:

Em nossa terceira expedição usamos o equipamento geofísico mais moderno de todos – ele ‘brilha’ através do espaço interno de qualquer objeto, como um raio-x

E se vocês quiserem saber qual foi o “equipamento geofísico mais avançado do mundo” utilizado, basta conferir o vídeo abaixo:

Assim como nas expedições anteriores, não foi realizada NENHUMA escavação ou estudo mais aprofundado, mas, ainda assim, eis o que foi concluído:

A conclusão foi inequívoca: as elevações são de natureza antropogênica, ou seja, não são colinas naturais, mas pirâmides – o trabalho de mãos humanas. (…) um observatório bem preciso que permite que você acompanhe o céu estrelado. Usando métodos bem simples, foi criado um sistema com o qual nossos ancestrais registraram alterações galáticas e estudaram o Cosmos. Os cientistas descobriram que as pirâmides estão claramente na direção leste-oeste

E a história não parou por aí…

As análises mostraram que as pirâmides tinham pelo menos 9.000 anos, o que significa que a cultura das pirâmides veio do norte. Portanto, há uma história por trás do nosso país que remonta à grande antiguidade de uma grande potência“, disse Alexander Volkov.

Essa fabulosa conclusão nunca foi submetida a NENHUM periódico científico revisado (ou não) por pares, tampouco há qualquer documento, ao menos de caráter público, que mostre como foi isso foi datado.

Se Estiver com Preguiça de Assistir ao Vídeo…

Convenhamos que um vídeo em russo não costuma ser um grande atrativo para a absoluta maioria das pessoas, logo confira abaixo o que seriam as tais “pirâmides” da Península de Kola.

Foto mostrando o que seriam as pirâmides de uma antiga, desconhecida, mas avançada civilização chamada “Hiperbórea”.

Mais uma foto mostrando o que seriam as pirâmides de uma antiga, desconhecida, mas avançada civilização chamada “Hiperbórea”.

E essa seria a análise feita por Yuri Kudinov e seus colegas:

Única análise que encontramos que foi feita, a esmo, por Yuri Kudinov.

Novamente, Não São Pirâmides! São Apenas Colinas!

Obviamente, muitos podem acreditar, alimentados por suas próprias ideias ou egos, que as colinas acima sejam “pirâmides”, mas elas não retratam estruturas feitas pelo homem ou seres extraterrestres. Um dos participantes dessa expedição sequer acreditava nisso.

Desde o início da expedição, o termo ‘pirâmide’ não era muito claro para mim, uma vez que se tratavam apenas de colinas, sobre as quais escrevi no meu artigo. No entanto, na , li o seguinte: ‘As pirâmides mais antigas do mundo descobertas na Península de Kola confirmam a existência da lendária Hiperbórea. A Península de Kola tornou-se recentemente uma Meca para pesquisadores e caçadores de descobertas científicas’.  Aqui a palavra “pirâmide” foi mencionada sem aspas. Declarações semelhantes estão disponíveis em muitas publicações curtas“, disse V. Chudinov, então professor da Academia Russa de Ciências Naturais.

Uma Ironia do Destino

Segundo V. Chudinov, as alegadas “pirâmides” teriam sido uma “descoberta” aleatória de uma cidadã chamada “Lidia Ivanovna Efimova” (mais uma promotora de Hiperbórea). Na época, ironicamente, ela alegou que apresentou as tais “pirâmides” para a apreciação da comunidade científica e do público, não para virar tema de um programa de TV.

(…) mesmo que você olhe essas elevações do ângulo mais favorável possível, ou seja, a partir de um ângulo bem aberto, onde seja possível vê-las quase uma após a outra, ainda se parecem mais com colinas, não pirâmides“, disse V. Chudinov.

Agora, reparem no que ele disse sobre a expedição de 2007:

Em agosto de 2007, quando estávamos no acampamento base, nos preparávamos para voar no dia seguinte, de helicóptero, para Seydozero e de lá para as ‘pirâmides’. Foi quando ouvi essa palavra pela primeira vez e fiquei muito surpreso. Alexander Volkov proferiu essa palavra, que ele pegou emprestado de Lidia Ivanovna. Contudo, Lidia Ivanovna não mostrou nenhuma imagem das ‘pirâmides’. A única imagem eram de rochas próximas das ‘pirâmides’, sendo que as próprias “pirâmides” eram completamente invisíveis, a qual recebi de Volkov Jr. meia hora antes voarmos. Assim sendo, o mistério ao redor da palavra ‘pirâmide’ durou até a chegada ao próprio local, onde, ao se aproximar e principalmente quando vista de cima, eram apenas elevações quase imperceptíveis. Elas se tornaram as tais ‘pirâmides’“.

Nada vs Nada

Em 2019, o site do jornal russo “Moskovskij Komsomolets” mencionou que, em 2010, teria havido mais uma expedição, dessa vez de um “pesquisador” chamado Igor Gusev. Ele teria encontrado uma “pirâmide” de 80 metros de altura, na Península de Kola, mas não foi publicada nenhuma foto da descoberta, tampouco encontramos qualquer material relacionado a essa tal “pirâmide de 80 metros”.

Um Homem Chamado Alexander Vasilyevich Barchenko

A associação do “Mito de Hiperbórea” com a Península de Kola teria começado com um homem chamado Alexander Vasilyevich Barchenko. Ele era um ocultista, escritor e um pesquisador de “fenômenos anômalos”. Já perceberam no que isso vai dar, né?

Em 1922, Barchenko liderou uma expedição até o Lago Seydozero, na Península de Kola, que oficialmente visava investigar um distúrbio mental incomum chamado “Meryachenie” (do idioma iacuto “fazer coisas estranhas”) ou como os esquimós chamavam: “O Chamado dos Polaris” (melhor que Meryachenie, convenhamos!). Esse distúrbio poderia acometer várias pessoas ao mesmo tempo e se manifestava como uma espécie de obsessão. Na Wikipédia, vocês encontrarão esse distúrbio como “Piblokto”.

A associação do “Mito de Hiperbórea” com a Península de Kola teria começado com um homem chamado Alexander Vasilyevich Barchenko.

Embora haja registros históricos e relatórios médicos que mencionem tal condição, que predominaria durante o inverno em povos do Círculo Ártico, vários pesquisadores e moradores locais duvidam que tal condição realmente seja um distúrbio. Eles sugerem que o fenômeno possa estar mais enraizado na experiência e no comportamento dos primeiros exploradores europeus do que nos próprios povos do Ártico.

Enfim, o problema aqui é que Barchenko era uma pessoa com interesses incomuns. A gama de seus interesses profissionais era muito ampla: a criação de dispositivos para espionagem por rádio, o estudo das habilidades extraordinárias do homem, a elucidação da natureza dos OVNIs, a busca pelo Pé-Grande, entre outras coisas. Há quem diga que a o motivo oficial da expedição tenha sido apenas fachada, porque o real objetivo de Barchenko era procurar por Hiperbórea e estudar os xamãs do povo Sami, que carregariam todo o conhecimento ancestral de Hiperbórea. Assim sendo, a “missão” não teria sido reunir informações medicinais, mas… informações sobre a tecnologia de produção de armas nucleares e psicotrônicas!

Perdido no Tempo

Posteriormente, o conteúdo dessa expedição teria sido classificado pela Checka/OGPU (equivalente a KGB daquela época) — coisas da União Soviética, nada novo no front. Em 1938, tanto Barchenko quanto os demais membros da expedição de 1922 teriam sido executados no chamado “Grande Expurgo” — uma violenta campanha de repressão política na União Soviética, que ocorreu entre os anos de 1936 a 1938, que foi liderada pelo ditador Josef Stalin. Ao longo do tempo, diversos escritores alegaram ter encontrado fragmentos dos registros da expedição de Barchenko. Há quem diga que, antes de morrer, ele teria deixado documentos com uma parente dele. Vai saber!

Cerca de 75 anos depois entrou em cena o Valery Demin, que até tentou obter, oficialmente, acesso aos arquivos de Barchenko, mas disse ter sido negado. Valery, no entanto, teria reunido diversos fragmentos de registros supostamente escritos por Barchenko e, então, liderou aquela expedição ocorrida em 1997 para atestar ou refutar os supostos dados coletados por Barchenko.

Resumindo? Todo esse engodo é praticamente centenário e ninguém que realmente leve a Arqueologia/Antropologia a sério se importa com isso, exceto, é claro…

Um Site Chamado “Yperboreia”

Na internet é possível encontrar um site chamado “Yperboreia“, que alega ser mantido por uma “entidade” denominada “Clube Internacional de Cientistas”.

Apesar do nome pomposo, eles não promovem nada realmente científico e credível. Duvida? Pois bem, um dos programas dessa “entidade” é “dedicado à pesquisa e desenvolvimento das ciências naturais, culturais, de saúde, etnográficas, linguísticas, toponímicas, cosmoplanetárias e espirituais da mais antiga e altamente desenvolvida civilização chamada… Hiperbórea“. Sim, isso existe e, como era de se esperar, sobrevive à base de doações ou de excursões que são realizadas anualmente (suspenderam temporariamente devido ao ).

Na internet é possível encontrar um portal chamado “Yperboreia”, que alega ser mantido por uma entidade denominada “Clube Internacional de Cientistas”.

Embora o site diga que Hiperbórea (eles acreditam que Hiperbórea seja real e seus resquícios estão na Península de Kola) venha sendo “ativamente estudada com entusiamo nos últimos 20 anos”, desde 2007 nada de mais relevante foi publicado sobre essa suposta civilização atômica.

Lembrando, mais uma vez, que nunca houve escavação ou qualquer estudo mais sério e aprofundado. Não por falta de verba (o governo local já financiou essa bobagem com dinheiro público porque pensaram que seria bom para o turismo), mas, porque, provavelmente, se houver, acabará com toda a “magia” do local e, consequentemente, com todo o dinheiro gasto com as ninfas da Primavera \_(ヅ)_/

Conclusão

Falso!

O texto publicado pelo site “Conexão UFO” e disseminado pela página de mesmo nome, no Facebook, é uma completa bagunça. Para começo de conversa, nenhuma pirâmide foi recentemente descoberta na Rússia e, além disso, a foto utilizada retrata apenas duas colinas nas Ilhas Faroé – um território autônomo da Dinamarca, localizado no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia.

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