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Empresário reafirma propina e diz que esquema é da atual gestão

Arrolado como testemunha em uma das ações penais derivadas da Operação Rêmora, o empresário Ricardo Augusto Sguarezi, dono da Aroeira Construção e da Relumat Construção, prestou depoimento à juíza Selma Rosane Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, na tarde desta terça-feira (6).

empresario paga propina

 Ele voltou a reafirmar que pagou propina ao grupo de servidores e empreiteiros investigados na operação para conseguir receber pelos serviços que sua empresa prestou em 2013 e 2014 à Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Por outro lado, ele afirmou que o esquema de cobrança de propina na Pasta, até então chefiada por Permínio Pinto (PSDB) começou na atual gestão do governador Pedro Taques o que contradiz outros depoimentos de réus e delatores na ação penal que atestaram em juízo que o esquema já existia desde a gestão passada quando o governador era Silval Barbosa (PMDB) e o secretário de Educação era Ságuas Moraes (PT).

Ricardo Sguarezi, que foi alvo de condução coercitiva na 1ª fase da Rêmora em maio de 2016, mas não foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE), abriu o depoimento relatando que quando houve a troca de gestão do governo foi chamado pelo servidor então servidor comissionado Fábio Frigeri, que era ligado a Permínio Pinto, e pelo empresário e delator do esquema, Luis Fernando Rondon, para participar de uma reunião com empresários para tratar de licitações.

Segundo ele, foi enesta reunião que ele conheceu Giovani Guizardi, apontado nas investigações como o operador do esquema de cobrança de propina e direcionamento de licitações para reforma e construções de escolas estaduais lançadas pela Seduc. “Eu teimei em entrar em contato com ele”, disse.

Segundo o empresário, depois de algumas reuniões que já tinham ocorrido com outros empresários, ele foi ao encontro de Giovani Guizardi no edifício Avant Garden Business, apontado pela Polícia e Ministério Público Estadual (MPE) como o local onde os membros da organização criminosa se reuniam para decidir detalhes das fraudes às licitações, combinar propina e valores que cada um receberia.

Segundo ele, na reunião estavam presentes: Luis Fernando, Leonardo Celso Esper, Eder Meciano, entre outros empresários. “A gente concordou em dar o pagamento pro Giovani. Até fiquei surpreso, nunca tinha visto nenhum empresário cobrar propina de outro empresário. Geralmente era agente público”.

Chico Ferreira

Ricardo Sguarezi acompanhado do advogado nos corredores do Fórum de Cuiabá

Na versão de Sguarezi, Giovani lhe cobrou 30% do faturamento da empresa Relumat, mas após negociações, concordou em receber 15%, referente a 9 pagamentos atrasados. No entanto, após “barganha”, Ricardo conseguiu baixar de 9 para 4 pagamentos, que resultaram em R$ 90 mil. Ele também relata que foi cobrado 5% de propina dos empresários, mas que após insatisfação dos membros do cartel, esse percentual baixou para 3%.

Ele nega que tenha participado da reunião em que as obras foram “loteadas” entre os empreiteiros, apesar de ter sido convidado e que, por isso, ele não figura como réu, mas sim como testemunha.

Sobre a participação do réu Moisés dias da Silva, ex-servidor da Seduc, Sguarezi atestou que nunca o viu em nenhuma reunião para tratar do esquema e que nunca pagou nada para ele.

Conversa com Permínio Pinto

Ricardo afirma diante da juíza Selma Arruda que conversou o então secretário Permínio Pinto logo no início, quando foi abordado por Fábio Frigeri e Giovani Guizardi, alertando sobre a cobrança de propina. Segundo o empresário, na ocasião, Pemínio se mostrou sério e orientou que não pagasse nada pois o problema seria resolvido.

No entanto, mediante a pressão de Fábio Frigeri e Giovani para que a propina fosse paga, pois caso contrário Sguarezi não receberia os pagamentos atrasados, então ele concordou em participar do esquema. Por outro lado, o empresário negou que tenha tido contato com o empresário Alan Malouf ou qualquer parlamentar citado nas investigações na Rêmora. Também afirmou que o esquema da Rêmora surgiu neste governo.

Pagamentos de propina

Em uma única semana Sguarezi diz que pagou 3 parcelas de R$ 30 mil para receber suas medições que estavam atrasadas. Também afirma que ao final pagou R$ 5 mil a mais como “agrado” para Giovani Guizardi. A próxima audiência na ação penal ocorre nesta quarta-feira (8), às 13h quando serão ouvidos os réus Alan Malouf e Edézio.

Alan Malouf é réu no processo acusado de liderar o esquema que teria rendido cerca de R$ 1,2 milhão em propina arrecadada junto a empresários do ramo da construção civil, que buscavam ganhar contratos em licitações de construção e reformas de escolas estaduais em Cuiabá e no interior.

Outro réu na ação penal é o engenheiro elétrico Edézio Ferreira da Silva acusado de ter atuado junto ao operador e delator do esquema, Giovani Guizardi, no escritório que ficou conhecido como “quartel general”, onde ocorriam as reuniões da suposta organização criminosa.

No escritório, localizado no edifício Avant Garden Business, no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, Edézio realizava planilhas de custos e projetos para as obras que Giovani Guizardi visava obter junto à Seduc. Ele também era responsável pela manutenção do local, cujas despesas eram pagas com dinheiro de propina.

Publicado por » Danny Bueno

Especializado em Jornalismo Político e Investigativo. Está radicado nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, construiu a carreira trabalhando para sites, jornais e emissoras de TV de Mato Grosso e Rondônia. É assessor de imprensa, é roteirista, músico, produtor de eventos, compositor, editor de conteúdo, relações públicas, analista político e de marketing social. É filiado à ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. (http://portaldosjornalistas.com.br/jornalista/danny-bueno)

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