Notícias do Estado Política em Foco Últimas

Segundo Ex-secretário, ex-governador e TCE teriam acordo de 50 milhões em propina

Pedro Nadaf disse que parte de dinheiro era oriundo de desvio em desapropriação de imóvel. Propina teria sido acordada entre ex-presidente do órgão e o ex-governador do estado.

 

Ex-secretário da Casa Civil em Mato Grosso, Pedro Nadaf prestou depoimento sobre desvios da Operação Seven ao Gaeco (Foto: Chico Valdiner/Secom/MT).

 

Ex-secretário de estado Pedro Nadaf afirmou, em depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), que parte do dinheiro desviado com a desapropriação de um imóvel rural de 721 hectares, em 2014, foi usado para pagar propina de R$ 50 milhões a cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

 

O desvio foi apurado durante a Operação Seven, deflagrada pelo Gaeco em fevereiro de 2016, que apurava um esquema fraudulento que teria desviado R$ 7 milhões dos cofres públicos estaduais. Ao Gaeco, Nadaf afirmou que, do valor pago pelo estado pelo terreno, 50% foi devolvido pelo proprietário para a organização criminosa, totalizando R$ 3,5 milhões.

 

Segundo o ex-secretário, o pagamento de propina ao TCE teria sido acertado pelo ex-governador Silval Barbosa e o então presidente do TCE, conselheiro José Carlos Novelli, em 2013. Conforme Nadaf, o ex-governador teria lhe dito que, além de Novelli, também recebiam a propina os conselheiros Sérgio Ricardo, Antônio Joaquim, Valdir Teis e Valter Albano.

Em nota assinada pelo presidente do TCE, Antônio Joaquim, o órgão afirmou que uma denúncia sobre o caso foi feita em outubro de 2016 e investigada pelo órgão, restando o processo arquivado por falta de provas. Os autos, porém, foram remetidos ao MP e demais órgãos de controle externo, para que as investigações possam ser aprofundadas, se necessário.

 

O G1 não conseguiu contato com a defesa de Silval Barbosa. O ex-governador passou quase dois anos na prisão e foi solto após prestar depoimentos à Justiça e confessar os crimes que cometeu.

 

LEIA ESTA: Conselheiro do TCE rebate acusações e diz que 50 milhões foram para setor tecnológico

 

De acordo com o depoimento de Nadaf, Novelli teria procurado o ex-governador para oferecer vantagens ao governo em diversos contratos que estavam sob fiscalização do TCE, como as obras da Copa do Mundo, os incentivos fiscais, o programa MT Integrado e obras em andamento nas secretarias estaduais em geral, além da aprovação das contas do Executivo.

 

“O ex-governador teria fechado um acordo de pagamento mensal de R$ 3,5 milhões a serem distribuídos a cinco conselheiros do Tribunal de Contas, em 14 parcelas, que na sua soma total chegariam num montante de aproximadamente R$ 50 milhões”, afirmou Nadaf ao Gaeco.

O valor da propina, conforme o ex-secretário, teria sido proposto pelo então presidente do TCE, baseado no valor global que o estado estaria movimentando nos setores sob fiscalização do órgão.

 

Silval teria assinado notas promissórias que foram sendo resgatadas conforme o pagamento era efetuado. Para pagar a dívida, o ex-governador teria se utilizado de diversas formas de desvios de dinheiro público, inclusive a desapropriação da área investigada na Operação Seven.

 

“Silval Barbosa necessitava obter dinheiro público desviado a fim de honrar parte da dívida de R$ 50 milhões com o Tribunal de Contas do Estado”, diz trecho do depoimento.

 

Segundo o ex-secretário, o ex-procurador do Estado, Francisco Lima, o Chico Lima, teria sido o responsável por todos os trâmites administrativos para a desapropriação da área e o recebimento da parte devida à organização.

 

O advogado de defesa do ex-procurador, João Cunha, afirmou, que Nadaf precisa apresentar provas do que disse no depoimento.

“Quem se presta a realizar confissões e delações, deve apresentar provas do que alega. Não dá para ficar apenas na órbita da palavra”, disse.

 

Conforme Nadaf, ele recebeu dois pagamentos das mãos de Chico Lima, em diversos cheques do proprietário da área desapropriada. O primeiro valor repassado teria sido no montante de R$ 650 mil, dos quais ele teria usado R$ 150 mil para quitar uma dívida de R$ 1,5 milhão que Silval teria com um buffet da capital, ficando com o restante para ele mesmo.

 

Posteriormente, o ex-secretário alega ter recebido de Chico Lima o montante de R$ 1,5 milhão, também em diversos cheques, que teria sido repassado por ele a um outro secretário da época, para que fosse paga parte da dívida do ex-governador com o TCE.

 

Nadaf afirmou ao Gaeco que sempre entregava o dinheiro da propina para um secretário de Finanças do órgão ou para o conselheiro Sérgio Ricardo. “Para tanto, possuía até um cartão que dava acesso à garagem privativa dos conselheiros do tribunal”, citou o ex-secretário, no depoimento.

 

Obra parada

O ex-secretário disse, ainda, que em 2014 as obras e os pagamentos do programa MT Integrado serem paralisadas pelo TCE, devido ao atraso no pagamento da propina. Ele contou que precisou se reunir com urgência com os conselheiros Sérgio Ricardo e Novelli para assumir o compromisso, em nome do governador, de viabilizar o pagamento da propina.

 

“Com base nessa reunião, dias depois o TCE liberou a continuidade das obras e, a partir de então, a organização criminosa passou a buscar recursos ilícitos oriundos de dinheiro desviado do estado a fim de saldar esse débito”, disse.

Termo de compromisso

O TCE divulgou uma cópia de um termo de compromisso assinado à época com o governo do estado, que previa a liberação de R$ 50 milhões para o órgão.

 

O valor, de acordo com o documento, seria quitado em duas parcelas nos anos de 2012 e 2013, sob o pretexto de “renovar a estrutura tecnológica do TCE e implantar um programa de desenvolvimento institucional”.

Deixe sua opinião abaixo, via Facebook ou Whatsapp !

Danny Bueno

Especializado em Jornalismo Político e Investigativo. Está radicado nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, construiu carreira, desde 1991, trabalhando para sites, jornais e emissoras de TV de Mato Grosso e Rondônia. É assessor de imprensa, é roteirista, músico, produtor de eventos, compositor, editor de conteúdo, relações públicas, analista político e de marketing social. É filiado à ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.
(http://portaldosjornalistas.com.br/jornalista/danny-bueno)

Adicionar comentário

Click here to post a comment

Deixe aqui seu comentário!

COTAÇÃO DO DÓLAR & EURO

“RAPIDINHAS”

  • DEMILSON NUNES (PSDB-AF/MT)
    "Iremos promover junto a Câmara a criação de uma audiência pública para convocar e exigir da ENERGISA explicações sobre os aumentos "abusivos e extorsivos" nas contas de energia no município".
  • CHARLES MIRANDA (PSD-AF/MT)
    "Eu atendo desde as 4:00 da manhã nos postos de saúde, e não temos material de apoio, não temos condições para cobrar que os funcionários deem qualidade no atendimento a população".
  • VEREADOR TUTTI (PSDB - AF/MT)
    "A grande esperança do povo brasileiro hoje é a justiça, por que os políticos perderam a "vergonha na cara"".
  • ROSE "DO TRADIÇÃO" (PSL)
    Estou trabalhando forte, visitando vários lugares e municípios, sou pré-candidata a deputada por que tá na hora das pessoas de bem se envolverem na política...

VÍDEOS EM DESTAQUE NAS REDES

_____________________________________

PERGUNTINHA DO MÊS:

Apesar da legalidade, você acha correto os vereadores saírem de férias (recesso) de meio de ano, por 30 dias, com a cidade de Alta Floresta praticamente abandonada as moscas com problemas no setor da saúde e de obras, tais como: queimadas, poeira nos bairros, ruas esburacadas, falta de remédios, falta de médicos, semáforos que não funcionam, maquinário quebrado, caminhões quebrados, coleta de lixo deficiente, lixão a céu aberto, perda de verbas estaduais para o município e tantas outras mazelas que assolam a nossa cidade?

SIGA-ME OS BONS…

ANÚNCIOS & PUBLICIDADES

MEGA-SENA – ÚLTIMO RESULTADO:

Mega Sena
Fonte: Caixa Econômica
Boa Sorte
%d blogueiros gostam disto: