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Participante do Enem inova e paga com “combo” para quadrilha fraudar sua classificação em dois concursos

A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (30/10) que uma candidata pagou R$ 850 mil por uma espécie de “combo” para conseguir a aprovação dela no concurso para delegado da Polícia Civil de Goiás e da filha, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016.

Casa que participante deu a quadrilha para passar em concurso do estado
Segundo o delegado Rômulo Figueiredo, esse foi o maior valor repassado ao grupo criminoso alvo da Operação Porta Fechada e que atuava em todo o país.

Uma candidata comprou sua vaga no concurso para delegado e pagou uma espécie de ‘combo’. Ela fez um acordo com a organização criminosa, deu uma casa de R$ 850 mil para garantir a aprovação dela no concurso de delegado e da filha no Enem para uma vaga de medicina”, explicou Figueiredo.

Em nota, a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, informou que o órgão “não foi notificado e está buscando acesso ao inquérito para poder se manifestar”.

A Operação Porta Fechada cumpre 36 mandados judiciais, sendo 17 de busca e apreensão, 11 de condução coercitiva e oito de prisão. Do total de presos, foram dois em Goiânia, um em Nova Glória e três em Brasília. O sétimo mandado é referente a um homem que já havia sido preso em Brasília e o oitavo alvo segue foragido.
Fraudes no Enem

Segundo Figueiredo, o grupo alvo da ação fraudou o Enem de 2016 e planejava fazer o mesmo neste ano. A prova será aplicada no próximo domingo (5/11) e em 12 de novembro.

“Comprovamos que o Enem 2016 foi fraudado. Em todos os concursos eles tentam atuar de uma forma ou de outra. Em alguns casos tem êxito, em outros não. Antecipamos a operação para esta semana visto que estavam planejando, via ponto eletrônico, fraudar o Enem 2017”, afirmou à TV Anhanguera.

A polícia afirma que há beneficiários do esquema em todo o país.

A média cobrada era em torno de 20 vezes o salário para o cargo. Temos registro que em 2016 remeteram 35 milhões de euros para a Europa [o que corresponde a cerca de R$ 130 milhões] “, detalhou Figueiredo.

De acordo com o delegado, a descoberta de fraudes no Enem 2016 surgiu durante a investigação do mesmo crime no concurso para delegado da Polícia Civil. Um dentista, que havia pago R$ 125 mil por parte da vaga da mulher na corporação – o total era R$ 250 mil – desistiu e cobrou o montante de volta.

O aliciador informou que não tinha mais o dinheiro, mas poderia repassar uma casa que estava em seu nome, ele revenderia, pegaria sua parte e devolveria o restante”, explicou o delegado.

Ocorre que a polícia chegou ao dono do imóvel, que confessou ter cedido à residência ao grupo para quitar a aprovação do filho para uma vaga em medicina pelo Enem. O jovem disse, em depoimento à polícia que entregou o cartão resposta com poucas questões respondidas e fez a redação 15 dias depois, quando já sabia o tema, em um posto de combustíveis.

Figueiredo explicou além deste universitário outros três colegas também foram beneficiados. Além disso, na casa de um dos líderes do grupo, presos pela operação nesta segunda-feira, foi encontrado uma agenda onde havia anotação com o nomes de outros cinco estudantes que também fazem o curso em universidades públicas. Por isso, o delegado acredita que pelo menos nove candidatos foram beneficiados no Enem de 2016 após comprarem a vaga.

Fraudes no concurso para delegado

De acordo com o delegado André Bottesini, titular da Dercap, a investigação apontou que, só no concurso para delegado da Polícia Civil, ao menos 16 candidatos se envolveram no esquema.

Deste total, 13 pagaram e foram aprovados nas 13 primeiras posições do concurso para delegado. Outros entraram em desacordo financeiro com o grupo e desistiram”, explicou Bottesini.

As irregularidades no certame começaram a ser apuradas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) no início de março deste ano. Na ocasião, a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira contou que os candidatos questionaram o fato de um dos primeiros colocados no resultado ter suposto envolvimento em crimes contra a administração.

De acordo com Leila Maria, concorrentes também reclamavam da alta quantidade de notas superiores a 90 pontos. Para eles, este resultado causa estranheza pelo fato de se tratar de uma prova de grande dificuldade, em que cada questão errada provocava a perda de 0,25 pontos em relação à nota final.

Dias depois, em 12 de março, cinco pessoas foram presas suspeitas de envolvimento em fraudes. Segundo a Polícia Civil, o grupo cobrava de R$ 120 mil a R$ 365 mil por vaga. A organização também era suspeita de praticar irregularidades em processos seletivos de outros estados.

Um dos detidos na ocasião era apontado como membro da quadrilha responsável por aliciar os inscritos. Os demais são candidatos que já tinham sido aprovados na primeira fase. Segundo a polícia, eles integram famílias ligadas ao Poder Judiciário e influentes em Goiânia.

Logo depois, no dia 15 de março deste ano, a Policia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no consultório do médico Antônio Carlos da Silva Francisco, suspeito de envolvimento em fraude de concurso para delegado. O delegado Rômulo Figueiredo Matos, da Dercap, havia dito que o médico conseguia atrair pessoas de seu convívio pessoal e profissional oferecendo cargos públicos mesmo que estes não apresentassem todos os requisitos necessários.

As investigações avançaram e, no dia 4 de maio deste ano, a Justiça suspendeu liminarmente o concurso para delegado substituto. De acordo com a juíza Zilmene Gomide da Silva Manzolli, os indícios de fraudes nas provas poderiam prejudicar os candidatos caso o processo continuasse.

O MP-GO pediu a anulação do concurso. Porém, a juíza Zilmene Gomide considerou que essa seria uma media extrema. Ela preferiu suspender liminarmente pois a medida não prejudica o concurso. A magistrada lembrou ainda que a própria Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás, responsável pela seleção, já tinha paralisado o andamento do concurso.

Ex- funcionário do Cespe

Entre os alvos está um ex-funcionário do então Centro de Promoção e Seleção de Eventos (Cespe) – atual Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe).
Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra como o ex-funcionário fraudou gabaritos para aprovar candidatos que pagaram pela vaga no concurso para delegado da corporação .

Conforme a polícia, ele foi demitido em março deste ano assim que foi intimado a depor em Goiânia, e o esquema começou a ser desvendado. O ex-funcionário era quem cuidava da digitalização das provas e das folhas de respostas e, por esse motivo, conseguia preencher tudo antes e aprovar quem tivesse pago a propina.

“Este servidor subtraía o cartão resposta dos candidatos, que entregavam os mesmos em branco e, após a subtração, os preenchia indevidamente e os devolvia para a correção. Assim, os candidatos eram aprovados sem fazer qualquer prova”, disse o delegado.

Advogado do Cebraspe, Marcus Vinícius Figueiredo disse ao G1 que a entidade colabora com as investigações. “Desde quando tomou conhecimento dos fatos, o Cebraspe se colocou à disposição da polícia para cooperar.

Os policiais civis de Goiás vieram até a sede e puderam verificar todo o sistema de segurança. Até mesmo as imagens de câmeras de segurança foram divulgadas foram repassadas pelo Centro”, ressaltou.

Figueiredo destacou que o funcionário que aparece no vídeo e é investigado por fraude no concurso para delegado em Goiás já foi demitido. “O Cebraspe não tem nenhum envolvimento com as fraudes e não colabora com elas. O Centro continua à disposição para colaborar no que for preciso”, concluiu.

Os envolvidos vão responder por formação de organização criminosa, fraude a certame licitatório, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, em alguns casos.

Fonte: 

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