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Tecnologia e apoio atraem jovens para a zona rural

A liberdade e a qualidade de vida estão atraindo os jovens para a zona rural na região Noroeste de Mato Grosso. Eles estão entusiasmados com o plantio de café e nem sequer cogitam a possibilidade de retomar a vida urbana. Donos do próprio pedaço de chão, plantam, contabilizam e levam o profissionalismo à gestão das pequenas propriedades rurais.

 

Elder Cheibel Simões, 29, está com o casamento marcado para o próximo mês. Após a cerimônia, o casal vai se mudar para a nova casa, no sítio dele, localizado em Colniza, uma das regiões consideradas polo de produção cafeeira no estado.

 

As expectativas com a área foram traçadas em um plano de atuação que inclui a ampliação da lavoura de café, que hoje está em 3 hectares, e ainda investimento em criação de gado. Assim, ele espera ter uma vida tranquila e confortável. “Aqui tem tudo que precisamos e gente como eu não nasceu para receber ordem de nenhum patrão, como acontece na cidade”.

 

 

Assistência técnica

Com apoio técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e da Secetaria de Agricultura Familiar, por meio do Programa Pró Café, Elder consegue manter tudo na ponta do lápis. Ele conta que aplicou R$ 25 mil na lavoura e que a expectativa é colher 1.150 sacas de café clonal, espécie trazida de Rondônia e resistente a 70% das pragas na região amazônica.

 

O lucro previsto, com a cotação atual, é de R$ 300 por saca. Muito mais do que ganharia ao concluir a vida acadêmica, avalia o jovem produtor. “Eu percebi que teria que estudar mais de 10 anos para ter um salário razoável, porque precisaria fazer mestrado e passar em um concurso público. É muito tempo”, afirma Elder.

 

Simões explica que o principal apoio que ele teve do programa estadual foi assistência técnica que o ajudou com a análise e orientação para a correção de solo, base de uma boa produtividade.

 

Como empreendedor rural, percebeu que precisava aplicar as orientações e tentou se juntar aos vizinhos para comprar o calcário. “Eu precisava de 6 toneladas e os vendedores exigem a carga mínima de 18 toneladas. Ninguém quis ser parceiro e eu conversei com o meu pai e compramos sozinhos”.

 

Quando Elder começou a ter resultados no sítio, os outros produtores se interessaram pelo excedente e em poucos meses, ele vendeu tudo. “Agora, me arrependo de ter feito negócio, porque penso em ampliar a lavoura e terei que comprar mais”, argumenta com um sorriso no rosto.

 

No processo de construção da lavoura, percebeu que estava gastando cerca de R$ 2 com a compra e o plantio das mudas e se queixou aos técnicos, que logo lhe ofereceram a solução, fazer ele mesmo as mudas.

 

Simões observou com critério planta por planta e da mais produtiva tirou os brotos. Assim, ele perpetuou a qualidade genética. De uma planta, ele consegue fazer cerca de 1.000 novas, o que consome um dia de trabalho.

 

A única preocupação é no período de seca, quando precisa molhar mais vezes. Durante as chuvas, é só observar, porque a natureza faz o trabalho.

 

Família unida pelo café

Gilmar Berges de Oliveira, 50, chegou à comunidade Sagrada Família, localizada no distrito de Terra Roxa, em Juína, sem muita coisa. Ele e a esposa, Guiomar Alves Carvalho, 36, começaram a vida trabalhando em terras arrendadas e depois de muito esforço compraram a primeira propriedade da família, com 5 hectares. A princípio, o espaço era dividido entre o café e a lavoura branca (feijão, milho e arroz), mas logo ficou predominantemente cafeeira.

 

Guiomar disse que um dos motivos da mudança foi a apresentação do café clonal em reuniões do Pró Café e também a redução do trabalho na lavoura. “Antes eu tinha que bombear veneno na roça até cinco vezes por dia na lavoura branca. Com o café, o trabalho duro não ultrapassa 4 meses por ano, contando com a colheita”.

 

O casal tem planos para ampliar a produção, mas Gilmar não quer tratar da lavoura sozinho. Ele tenta mostrar aos filhos a importância de se manter na terra. A filha dele, Carolaine Alves da Rocha Langkmmer, 19, confirmou que dará continuidade ao negócio da família.

 

Ela chegou a morar em Campinas (SP), mas conta que não gostou da experiência. “Eu olhava para frente e via um muro, dos lados e atrás a mesma coisa. Aqui eu sou livre”.

 

Carolaine casou recentemente com Edivaldo dos Santos Langkmmer, 21, e já estão instalados no sítio deles, ao lado da área dos pais dela. O marido morava em Tangará da Serra e optou por seguir o mesmo caminho da esposa – a vida na roça.

 

Eles plantaram o café clonal, muda trazida para Mato Grosso pelo programa estadual Pró Café, e ainda contribuem com a roça da família. O apoio deles é essencial no momento da colheita, tendo em vista que são contratados diaristas para ajudar no trabalho.

 

A colheita é totalmente manual e dura até dois meses. Depois de passar pela secagem, o café pode ficar armazenado na tulha até 5 anos, sem perder qualidade. Esta característica dá oportunidade ao produtor de esperar o melhor preço pelo grão.

 

Novas perspectivas

O secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente de Juína, João Manoel Perez, diz que é visível o envelhecimento do campo. Na opinião dele, os mais novos deixaram a lavoura não só pela falta de aptidão com o trabalho, mas também pela ausência de perspectiva que rodeava a zona rural.

 

No final de década de 80, parte dos produtores migraram para o garimpo e os demais passaram a colecionar prejuízos com o café por causa das pragas e da falta de uma assistência técnica qualificada.

 

Conforme a análise de Perez, a tecnologia trazida pelo programa Pró Café está resultando no retorno dos jovens, bem como de outras famílias que trocaram a agricultura pelas atividades extrativistas.

 

Devido aos resultados alcançados no programa estadual, a prefeitura instituiu um programa municipal de apoio ao Pró Café. Entre as metas, está a renovação de 100% da área cafeeira, distribuição de 300 mil mudas para produtores este ano e a mesma quantidade no próximo ano. Outro objetivo é a instalação de uma nova unidade de referência.

 

A tecnologia também é considerada o ponto forte do programa pelo secretário de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários, Suelme Fernandes. Ele explica que a nova espécie do grão garante um aumento da produtividade de até 1000%, desde que seja aplicada a metodologia correta de cultivo.

 

Dentro do trabalho está inserção de outras culturas junto com o café para otimizar os espaços e ainda dar condições do agricultor ter renda com a propriedade, mesmo em períodos de baixa no mercado, poda e renovação da lavoura.

 

Balanço

Desde o começo do projeto, em 2016, o Governo do Estado entregou 400 mil mudas de café clonal, beneficiando 4 mil agricultores em 12 municípios do Noroeste de Mato Grosso. Ainda foram ofertadas 100 toneladas de fertilizantes e 400 toneladas de calcário. Os trabalhos funcionam em parceira com a Empaer e Embrapa.



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FONTE: CENÁRIO MATO GROSSO

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