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Lado positivo é a baixa criminalidade e o negativo, a escassez de empregos – fotos

Rodinei Crescêncio

Na menor cidade de Mato Grosso é assim, pouca gente nas ruas, carros são incomuns, a maioria só anda a pé e o tempo parece que passa mais devagar

O silêncio assusta quem está acostumado à agitação de grandes cidades. Nas ruas da menor cidade de Mato Grosso, Araguainha, a 470 km de Cuiabá, os carros são incomuns. Pessoas andam a pé. Todos se conhecem e se cumprimentam. A tranquilidade traz alívio aos mais velhos, que demonstram amor pelo local e afirmam querer passar o resto da vida por ali. Os mais jovens, porém, planejam se mudar.

Rodinei Crescêncio

Izaína Pereira ao lado do pé carregado de jaboticabas

A cidade, localizada na região sudeste do Estado, foi fundada em 24 de fevereiro de 1964. A área começou a ser povoada a partir da década de 40, com a chegada de garimpeiros, que iam ao Rio Araguainha em busca de diamantes. Anos mais tarde, em razão da grande quantidade de pessoas no lugar, o Governo de Mato Grosso transformou a região em povoado, com o nome Couto Magalhães, em homenagem ao ex-presidente da província de Mato Grosso.

“Quero passar a minha vida toda aqui”
Izaína Pereira de Souza, moradora
Em 64, uma Lei estadual transformou Araguainha em município. O nome foi dado em razão de a cidade estar à margem esquerda do rio homônimo, que deságua no rio Araguaia.
Melhor lugar no mundo 
Para a aposentada Izaína Pereira de Souza, 74 anos, a cidade é o melhor lugar do mundo. Ela se mudou para a região de Araguainha aos quatro anos. No município, criou, junto com o marido, os três filhos – um deles se mudou para trabalhar e nunca mais retornou. Por mais de três décadas, Izaína, hoje viúva, trabalhou como merendeira em uma escola da cidade. “Quero passar a minha vida toda aqui, porque é um lugar tranquilo e eu gosto muito”, ressalta.
Nas ruas da cidade, é comum ver diversas casas abandonadas. Os moradores que vão embora, comumente não vendem suas residências. “Não tem ninguém para comprar, por isso tem tantas construções sem donos”, explica Izaína.
Metade das ruas do município possui calçamento. Parte deles com cimento, feito com pedra de garimpo e areia, materiais retirados do Rio Araguainha. Outra parte do asfalto é de bloquete. Já a outra metade das vias da cidade não possui asfalto.

Galeria: Casas abandonadas


Rodinei Crescêncio

Focou bem? – questiona idoso, caminhando pela cidade

Conforme população estimada do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), divulgada neste ano, Araguainha tem, atualmente, 956 habitantes. Os dados chamam a atenção, pois o município tem enfrentado decréscimo em seu número de moradores nas últimas décadas.
Em 1970, conforme censo do IBGE, a cidade tinha 1.718 habitantes. Desde então, o número foi diminuindo. Em 1980 eram 1.435 moradores. No ano de 1991, a população reduziu para 1.416. No início de 2000, o IBGE apontou 1.352 moradores. No censo mais recente, elaborado em 2010, o município possuía 1096 habitantes.
O decréscimo no número de moradores da cidade se justifica pela falta de oportunidades de empregos na região. Os habitantes do município têm o serviço público como fonte de renda, por meio de entidades ligadas à Prefeitura ou ao Estado. No Executivo municipal, estão empregadas 164 pessoas, entre concursados e comissionados.
Conforme o levantamento Perfil dos Municípios Brasileiros do IBGE, divulgado no ano passado, Araguainha possui 215 funcionários públicos, sendo 26 são comissionados. Destes, 164 trabalham na Prefeitura. Em 2014, a mesma pesquisa apontou que Araguainha estava entre as cinco cidades com maior número de servidores municipais em relação à quantidade de habitantes. Na época, 20,3% dos moradores atuavam na Prefeitura do Município, de modo direto.  
Há alguns poucos postos de serviço nas produções rurais. Na cidade existem poucos comércios e não há indústrias.
“O que falta aqui é uma indústria que possa empregar as pessoas. Quem fica aqui é aposentado, porque está mais tranquilo, ou quem trabalha no serviço público. Não existe outra alternativa”, declara a autônoma Josiane Franco, 42 anos, que vive na cidade desde a infância.

Rodinei Crescêncio

Josiane trabalha em restaurante da cidade, onde mora desde a infância, mas pensa em sair

Josiane trabalha em um dos poucos restaurantes da cidade, estabelecimento criado pela mãe dela, ex-vice-prefeita de Araguainha. Além de cuidar do estabelecimento, a mulher também vende cosméticos e auxilia aposentados do município que precisam ir a outras regiões para serviços como atendimento médico. Ela fez os cursos de Matemática e Administração a distância e nunca saiu de Araguainha. “Gosto muito daqui, mas quem sabe um dia eu vá para outra região”, diz, sem muitos planos por enquanto.
Falta de emprego
O prefeito de Araguainha, Silvio José de Morais Filho, o Silvinho (PSD), confirma que a falta de emprego faz com que muitos habitantes da cidade decidam ir para outros municípios. Segundo ele, além de serviço no setor público, há também a produção rural, por meio da agropecuária, com plantações de soja ou criação de gado. “Mas não é uma atividade que emprega muitas pessoas, geralmente são as próprias famílias que cuidam disso”, explica ao #rdnews.

Reprodução

Prefeito Silvinho confirma que a falta de perspectivas é preocupante

Muitos jovens deixam a cidade para buscar outros lugares para estudar. Em Araguainha há duas escolas, uma municipal e outra estadual. Não há, porém, nenhuma faculdade ou instituição que ofereça algum curso superior.
Em relação ao comércio, Araguainha possui uma farmácia, três mercados, uma Lotérica, dois restaurantes e um hotel. Os estabelecimentos são tocados, comumente, pelos proprietários e membros de suas famílias.
Turismo
No entorno de Araguainha há diversas cachoeiras, além do seu maior atrativo turístico: a cratera de impacto, causada por um meteorito que atingiu a região há mais de 250 milhões de anos. Tais itens, porém, não são explorados pelos moradores da região, que reclamam da falta de incentivo ao turismo no local.
“Aqui tem muitos lugares que poderiam ser mais explorados pela parte do turismo, mas eles não se importam com isso”, disse uma fonte que pediu para não ser identificada.
Em Araguainha, era comum que as pessoas dessem declarações e temessem por represálias como dificuldades para arrumar serviços ou até mesmo prejudicar parentes comissionados na Prefeitura. “Melhor não colocar meu nome, para que eu não tenha problemas”, pediu uma mulher ouvida pela reportagem.
A Prefeitura da cidade afirma que não explora o turismo por falta de recursos financeiros. Conforme o Executivo municipal, as ações funcionam conforme a verba do município. O orçamento da cidade para este ano é correspondente a R$ 11 milhões, recurso oriundo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
“A nossa arrecadação por aqui é mínima. A gente consegue, mais ou menos, por mês, quando arrecada bem, em torno de R$ 15 mil”, afirma o prefeito.
A Secretaria de Turismo de Araguainha informa que a cidade costuma receber, em média, 400 visitantes ao ano.
“O número de visitantes, infelizmente, é muito baixo. Há semanas em que não recebo nenhum hóspede novo. É muito complicado”, reclama Juscima Angela Macena, proprietária do único hotel da cidade. “Poucos turistas vêm para cá. Quando vem alguém de fora, normalmente é para estudar o domo”, acrescenta a mulher.
Os moradores de Araguainha reclamam do fato de que muitos estudiosos e turistas que visitam a cratera de impacto vão a Ponte Branca, cidade mais próxima e que também está dentro da cratera, para ir ao lugar. “Poderíamos ter muitos turistas por aqui, mas acabam preferindo ir para a cidade vizinha”, lamenta uma moradora.
A reportagem ouviu pessoas que estudam o Domo de Araguainha e elas argumentaram que preferem Ponte Branca por considerarem que a cidade tem estrutura melhor para receber visitantes. “Em Araguainha, até um tempo atrás, não tinha nem hotel”, comenta um dos estudiosos.

Galeria: Um de cada

Saúde e segurança

“Quando acontecem roubos ou furtos, são crimes praticados por pessoas de outras cidades. Em geral, a cidade é muito tranquila. Dificilmente registramos boletim de ocorrência, porque acabamos resolvendo as coisas no diálogo”
Soldado PM Rodrigues
No menor município de Mato Grosso há apenas uma unidade de pronto-atendimento, com um médico plantonista e enfermeiros. “Normalmente os pacientes que precisam de atendimento mais sério são transferidos para Alto Araguaia”, comenta a secretária de Turismo da cidade, Sideuma Rodrigues.
Em relação à segurança, um fato chama a atenção: não há Delegacia de Polícia na cidade. Conforme a Polícia Civil, foi desativada no ano passado, em razão da pouca demanda criminal na cidade. As ocorrências de Araguainha são atendidas em Ponte Branca nos dias de semana. Nos finais de semana, quando a delegacia da cidade vizinha não atende ocorrências, os casos são levados para Alto Araguaia.
O crime mais recente, considerado de grande proporção, foi o assalto à unidade dos Correios da cidade, no ano passado. Um assaltante foi baleado e morreu durante uma troca de tiros.

Rodinei Crescêncio

Soldado PM Rodrigues afirma que uma das vantagens de trabalhar na cidade é a calmaria

Segundo o cabo PM Eduardo de Souza, que nasceu em Araguainha e há oito anos atua na Polícia Militar da cidade, o fechamento da Polícia Civil trouxe dificuldades para os oito militares que trabalham em regime de plantão na única base da cidade. “Agora temos de fazer todo o serviço de delegado, escrivão, investigador, desde que Policia Civil deixou prédio”, diz.
Para o soldado Rodrigues, que há dois anos está lotado em Araguainha, um dos benefícios em trabalhar no município é a calmaria da região. “Normalmente, quando acontecem roubos ou furtos, são crimes praticados por pessoas de outras cidades que vêm para cá. Mas em geral, a cidade é muito tranquila. Dificilmente registramos boletim de ocorrência, porque acabamos resolvendo as coisas no diálogo”, diz. SOSSEGO E ESTAGNAÇÃO Lado positivo é a baixa criminalidade e o negativo, a escassez de empregos – fotos Lado positivo é baixa criminalidade e negativo, a falta de empregos – fotos

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FONTE: RD NEWS
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COLUNISTA | DANNY BUENO

“RAPIDINHAS”

  • DEMILSON NUNES (PSDB-AF/MT)
    "Iremos promover junto a Câmara a criação de uma audiência pública para convocar e exigir da ENERGISA explicações sobre os aumentos "abusivos e extorsivos" nas contas de energia no município".
  • CHARLES MIRANDA (PSD-AF/MT)
    "Eu atendo desde as 4:00 da manhã nos postos de saúde, e não temos material de apoio, não temos condições para cobrar que os funcionários deem qualidade no atendimento a população".
  • ROSE "DO TRADIÇÃO" (PSL)
    Estou trabalhando forte, visitando vários lugares e municípios, sou pré-candidata a deputada por que tá na hora das pessoas de bem se envolverem na política...
  • Sergio Moro - Futuro Ministro da Justiça
    Fiz com certo pesar, ...No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão.

PERGUNTINHA DO MÊS:

Os votos que foram distribuídos entre 6 candidatos em condições de representar Alta Floresta, poderiam ter elegido pelo menos um deputado estadual, você acha que a região mereceu ficar sem nenhum representante local na Assembleia Legislativa, pela falta de coordenação política dos nossos representantes?

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