Investigações em andamento revelam que, além da campanha eleitoral, a página de memes AFMilGrau era mantida pela prefeitura com verba do município.
Para dar sustentação às inúmeras postagens de autopromoção do prefeito que eram publicadas na página de fofocas, uma verba generosa era dispensada mensalmente para sanear os paparicos.
Neste caso, para efeito de punição judicial, caso seja condenado, o prefeito e demais envolvidos na administração responderão pessoalmente por improbidade administrativa, que poderá também ser motivo de cassação via Ministério Público, independentemente da participação da Câmara de vereadores.
Em setembro de 2024, revelamos em matéria exclusiva: (“Turma do 44 | Gravação revela “Mil Graus” de fraude, suborno, corrupção e perseguição a desafetos políticos” ), um vídeo que mostra o agora conhecido como “proprietário da Página”, Alan Rodrigues da Silva (Alan Benin), confessando que pela campanha eleitoral teria recebido a cifra de R$ 30.000,00, em duas parcelas de 15 e 15 mil reais, independente do acordo anterior de exaltar a administração pública em postagens quase que diárias de pura bajulação e produções políticas em sua página Alta Floresta Mil Grau (@altaflorestamilgrau), com 70 mil seguidores.
A pergunta que fica é: de onde veio esse dinheiro para a página durante a campanha? Por que até hoje esse escândalo ainda não foi investigado pelo legislativo?
RELEMBRE O ESQUEMA MIL GRAU (PREFEITO, VICE, ALAN E FAISSAL)
O fato é que, por se tratar de uma página apócrifa, onde o proprietário não possui CNPJ para estar contratado pela prefeitura no setor de mídias institucionais, obrigava que os pagamentos fossem repassados por fora, por meio de desvios de recursos, que serão revelados na denúncia.
É bom lembrar que o tal “proprietário da página” é servidor estadual lotado no gabinete do deputado Faissal Calil (Cidadania), até hoje, pago com dinheiro público dos cidadãos de Mato Grosso e, por fora, recebendo “propinas” com dinheiro público do município, para favorecer o marketing da administração de Alta Floresta.
Enquanto isso, o deputado Faissal Calil, que sempre esteve bem ciente de todo esse esquema, desfila ainda pelo município e é sempre recepcionado com alegria pela classe política que deveria cuidar dos interesses dos alta-florestenses.
Tais recursos, conforme as investigações, vinham dos cofres públicos e, devido aos desvios, deixaram de ser aplicados na saúde, na educação e demais setores administrativos de máxima prioridade para a população alta-florestense.
SERÁ QUE OS VEREADORES FORAM “SILENCIADOS”?
Mesmo antes e após a campanha eleitoral, onde foram revelados os pesados esquemas de corrupção interna na prefeitura, nenhum vereador se levantou até agora para questionar o prefeito e seu vice sobre os fatos apresentados na reportagem e que revelaram um esquema criminoso de direcionamento indiscriminado de verbas municipais. Ficaram calados e nada mais foi comentado sobre o assunto. Será que decidiram empurrar para debaixo do tapete e descumprir seu papel de fiscalizar o que estava de fato acontecendo na prefeitura, antes, durante e depois das eleições?
Agora, após uma sentença de cassação de mandato, esses mesmos vereadores, 12 dos 15 eleitos, aceitaram participar de um vídeo ao lado do prefeito e do vice cassados na tentativa de fortalecer a imagem de “vítima” do prefeito e apoiar seus argumentos contra a decisão judicial, o que pode acabar se tornando um tremendo tiro no pé e perda de capital político de cada um dos 12 presentes à reunião. Será que os vereadores devem algum favor ao prefeito e seu vice?
Será que o Ministério Público também vai se furtar de seguir em frente com esta investigação, talvez com receios de ter que encarar esferas superiores?
Será que o MP vai aguardar a decisão do colegiado do TRE/MT para seguir em frente?
Muita água ainda vai passar por debaixo desta ponte e existem muitos interesses por trás de todos os acontecimentos nos últimos dias em Alta Floresta. Deus ajude a nossa população!
