O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, identificou uma possível discriminação de gênero no processo seletivo para ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Diante dessa constatação, a instituição enviou uma recomendação formal ao Exército Brasileiro, solicitando um plano para ampliar as oportunidades destinadas a mulheres.
A análise do MPF revelou que, do total de 440 vagas oferecidas no concurso de admissão, apenas 40 foram reservadas para candidatas do sexo feminino, o que representa menos de 10% do total. Essa mesma desproporcionalidade foi verificada nos editais para o ano de 2025, sinalizando uma continuidade na restrição de acesso para as mulheres na carreira militar.
A recomendação emitida pelo MPF estabelece um prazo de 90 dias para que o Exército apresente um planejamento detalhado. O objetivo é expandir o número de vagas para mulheres na EsPCEx, buscando corrigir as desigualdades constatadas em processos seletivos recentes e assegurar um preenchimento equilibrado e proporcional das posições nos próximos cinco anos.
A decisão de emitir a recomendação ocorreu após a recusa do Exército em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que seria uma forma conciliatória proposta pelo MPF para abordar a questão da igualdade de gênero nos concursos de admissão.
De acordo com o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, o Exército chegou a informar que a reserva de vagas para mulheres seria uma política afirmativa de implementação paulatina. Contudo, a Força Armada manifestou não possuir um planejamento para ampliar a oferta de vagas femininas nos cursos de formação de oficiais das Armas, do quadro de material bélico ou do serviço de Intendência.
O documento do Ministério Público Federal destaca que a restrição de acesso baseada exclusivamente no gênero dos candidatos afronta a Constituição Federal, que garante a igualdade entre homens e mulheres e proíbe a diferença de critérios de admissão por motivos de sexo. O MPF também observa que o Brasil é signatário de convenções internacionais que asseguram o direito às mesmas oportunidades de emprego e o acesso igualitário ao serviço público.
A EsPCEx, localizada em Campinas, São Paulo, representa a etapa inicial na formação de oficiais, com duração de um ano. Após esse período de preparação e ensino básico, os alunos são transferidos para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Rio de Janeiro, onde estudam por mais quatro anos até a conclusão da formação militar.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
