Nova acusação aponta irregularidades em processo milionário
O desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, tornou-se alvo de uma nova representação protocolada junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A denúncia, apresentada por Leandro Alberto Foletto, questiona a imparcialidade do magistrado em um processo envolvendo as empresas Ecodiesel Comércio de Combustíveis Ltda. e Ecodiesel Transportes e Logística Ltda., que se encontram em regime de recuperação judicial.
As companhias, que possuem um faturamento anual estimado em R$ 800 milhões, operavam com uma frota superior a 90 caminhões e contavam com mais de 150 funcionários. Segundo o relato, em fevereiro de 2025, o desembargador determinou o afastamento dos sócios Evandro Roberto Cortezia e Andronis Stoquero da administração, nomeando um administrador judicial para assumir o controle dos negócios, medida que foi posteriormente ratificada em primeira instância.
Suspeitas de influência externa e quebra de imparcialidade
A petição enviada ao CNJ aponta a ocorrência de episódios considerados atípicos durante o trâmite processual. O denunciante relata que o administrador judicial teria mantido reuniões com os sócios afastados antes mesmo da formalização de sua nomeação, sem o conhecimento das demais partes envolvidas. Além disso, o documento cita comentários nos bastidores sobre uma possível influência externa capaz de alterar decisões judiciais.
Outro ponto de estranheza apontado pelo denunciante refere-se a uma mudança repentina de postura de Dirceu dos Santos durante o julgamento de um recurso. O magistrado teria sinalizado um entendimento favorável a uma das partes, mas alterou seu voto no decorrer da sessão, proferindo uma decisão contrária ao grupo interessado, o que gerou questionamentos sobre a motivação da mudança.
Histórico de representações no Conselho Nacional de Justiça
Esta não é a primeira vez que o nome do magistrado aparece em investigações do órgão de controle. Dirceu dos Santos já responde a outras reclamações, incluindo acusações de favorecimento em uma disputa de R$ 58 milhões envolvendo a Cooperativa Agrícola de Produtores de Cana de Rio Branco (Cooperb), além de uma denúncia sobre a transferência irregular de um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões. Há também registros de reclamações relacionadas a uma disputa fundiária na Fazenda Tiarajú, situada em Comodoro.
O magistrado está afastado de suas funções desde março, por determinação da Corregedoria Nacional de Justiça, que apura suspeitas de venda de sentenças. As investigações do CNJ indicam que, em um período de cinco anos, o desembargador teria movimentado cerca de R$ 14,6 milhões, acumulando um patrimônio pessoal estimado em R$ 18 milhões.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
