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Richard Dawkins declara que “mulheres trans são homens” e critica políticas identitárias

São Paulo — O biólogo evolutivo britânico Richard Dawkins voltou a se posicionar de forma incisiva sobre a discussão de gênero. Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, o cientista afirmou que “mulheres trans são homens” e defendeu que universidades e instituições de pesquisa priorizem critérios biológicos em vez de sentimentos ou políticas identitárias.

A declaração ocorreu durante a divulgação do livro A Guerra Contra a Ciência, escrito por Dawkins em parceria com o físico teórico Lawrence Krauss. A obra reúne ensaios de autores como Steven Pinker, Alice Sullivan e Alan Sokal, todos críticos do que consideram ser a influência de correntes ideológicas que, segundo eles, conflitam com evidências científicas consolidadas.

Apelo à biologia

Segundo o biólogo, reconhecer como “verdade literal” que mulheres trans são mulheres contraria princípios elementares da ciência. Ele argumenta que o sexo biológico permanece determinado pela anisogamia — diferença entre gametas masculinos e femininos — e que esse critério segue fundamental para definir machos e fêmeas, independentemente de comportamentos ou papéis sociais.

Dawkins atribuiu a crescente resistência a essas referências biológicas ao pós-modernismo, corrente que, em sua avaliação, teria popularizado a ideia de que o sexo forma um espectro. Para o pesquisador, políticas públicas ou sentimentos pessoais “não alteram fatos verificáveis”.

Consequências em espaços exclusivos

Ao explicar os motivos de sua preocupação, Dawkins citou possíveis impactos na integridade de mulheres cisgênero em ambientes como esportes competitivos, vestiários e presídios. Ele afirmou temer “violações de direitos” caso o acesso a esses locais seja concedido apenas pela autodeclaração de gênero, sem consideração pelo sexo biológico.

“Se a autopercepção for o único critério, corremos o risco de comprometer regras que existem para proteger a segurança e a justiça das mulheres”, disse, destacando disputas esportivas como exemplo frequente de controvérsia.

Crítica à academia

O cientista também direcionou críticas a universidades que, em sua visão, adotam políticas de inclusão sem respaldo científico. Ele pediu que instituições acadêmicas “resistam a pressões ideológicas” e mantenham a observância de parâmetros biológicos objetivos nos currículos e pesquisas.

Dawkins ganhou notoriedade mundial com obras populares sobre evolução, como O Gene Egoísta (1976) e Deus, um Delírio (2006). Nos últimos anos, passou a participar de debates públicos envolvendo religião, liberdade de expressão e identidade de gênero, frequência que frequentemente gera reações intensas em redes sociais e em círculos acadêmicos.

“A Guerra Contra a Ciência” ainda não tem data confirmada de lançamento no Brasil. No Reino Unido, o livro chega às livrarias na próxima semana, prometendo ampliar o debate sobre a relação entre ciência, política e sociedade.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News

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