Brasília – A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (2) o ex-assessor especial da Presidência da República Filipe Martins. Condenado a 21 anos de reclusão pela participação na tentativa de golpe de Estado, ele foi detido em sua residência, em Ponta Grossa (PR), e transferido para um presídio da própria cidade.
A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado concluiu que Martins descumpriu medidas cautelares impostas no fim de 2025, quando passou ao regime de prisão domiciliar. Entre as restrições fixadas estava a proibição de utilizar redes sociais, tanto em contas próprias quanto de terceiros.
Uso do LinkedIn motivou nova detenção
O episódio que desencadeou a revogação da prisão domiciliar ocorreu na última terça-feira (30). Na ocasião, Moraes solicitou que a defesa esclarecesse indícios de acesso do ex-assessor à plataforma LinkedIn. O despacho advertia que, caso não fosse apresentada explicação plausível, o custodiado teria a prisão preventiva decretada de imediato.
Os advogados responderam ao Supremo na quarta-feira (31), sustentando que o réu jamais manteve perfil ativo ou publicou conteúdos na rede profissional. Mesmo assim, o ministro entendeu que houve violação das condições estabelecidas e considerou a postura de Martins como “desprezo” pelas determinações judiciais, justificando a medida mais rigorosa.
Antecedentes do caso
Filipe Martins está entre os condenados pelos atos que culminaram na tentativa de ruptura institucional no país. Embora a pena fixada seja de 21 anos, ele ainda aguarda a análise definitiva dos recursos pelo STF, motivo pelo qual não cumpre, por ora, regime fechado definitivo.
Em 27 de dezembro de 2025, após a frustrada fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, Moraes determinou prisão domiciliar com monitoramento eletrônico a investigados que, na avaliação do tribunal, poderiam deixar o Brasil. Na ocasião, o ministro citou também o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem (PL-RJ), que permanece foragido no exterior.
Desde então, Martins estava obrigado a cumprir rígidas condições, incluindo a entrega do passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e a já mencionada proibição de acesso a redes sociais. Segundo a decisão desta sexta-feira, o desrespeito a uma dessas exigências configurou motivo suficiente para o retorno ao regime fechado.
O ex-assessor exerceu cargo de assessor internacional durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No processo que investigou os eventos de 8 de janeiro de 2023, o Supremo entendeu que Martins atuou na articulação das manifestações que buscavam invalidar o resultado da eleição presidencial do ano anterior.
Com a nova ordem expedida, Filipe Martins ficará à disposição da Justiça em unidade prisional paranaense enquanto aguarda o desfecho dos recursos apresentados por sua defesa.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
