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Doenças foliares exigem ação precoce no milho safrinha

Produtores de milho safrinha em todo o país enfrentam a rápida expansão de um complexo de doenças que afeta diretamente o potencial produtivo da cultura. A mancha-de-bipolaris (Bipolaris maydis) desponta como a principal ameaça, sobretudo em regiões do Cerrado como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, onde o cultivo de segunda safra avança motivado pela alta demanda de ração animal e etanol de milho.

Perdas podem chegar a 70%

Do plantio à colheita, o milho fica exposto a patógenos que comprometem a área foliar responsável pela fotossíntese. Em quadros severos, a bipolaris provoca redução média de seis sacas por hectare e, em casos extremos, pode derrubar a produção em até 70%. Condições de chuva intensa e elevada umidade, comuns no período que coincide com a safrinha, potencializam o problema.

Adoção de fungicidas cresce 79%

Para conter o avanço das doenças, o uso de fungicidas foliares tornou-se peça-chave do manejo. Dados do setor indicam que, nos últimos anos, a utilização de produtos classificados como “premium” aumentou 79% na segunda safra, com destaque para as formulações à base de carboxamidas.

Segundo Fábio Lemos, gerente de cultura de milho da FMC, a proteção deve começar cedo. “Aplicações a partir do estádio V4 são essenciais para preservar o potencial produtivo, principalmente em híbridos de alto rendimento. O ataque inicial pode comprometer irreversivelmente o desenvolvimento das plantas”, afirma.

Carboxamidas são destaque no controle

Entre os produtos disponíveis, as carboxamidas ganham espaço estratégico por aliarem amplo espectro de ação à seletividade das plantas. Luís Demant, gerente de fungicidas da FMC, cita o exemplo do Onsuva, que combina carboxamida e triazol na mesma formulação. “A associação de ingredientes ativos permite alta eficácia e reduz o risco de injúria”, explica.

Especialistas recomendam alternar princípios ativos para diminuir a pressão de seleção e retardar a resistência dos patógenos. Estudos apontam que o uso repetido de um único fungicida pode acelerar a perda de eficiência, tornando a rotação química fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo.

Ganhos de até 19 sacas por hectare

Ensaios de campo conduzidos em Minas Gerais mostraram que áreas tratadas com Onsuva logo no início do ciclo registraram incremento de até 19 sacas por hectare em comparação a talhões sem proteção antecipada. Os melhores resultados foram obtidos quando a primeira aplicação ocorreu ainda no estádio V4, fase em que a cultura define boa parte de seu potencial de rendimento.

Com a crescente pressão de doenças foliares e a importância econômica do milho safrinha, técnicos reforçam que a adoção de tecnologia de aplicação, monitoramento constante e escolha correta de fungicidas são fatores decisivos para assegurar a produtividade.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio

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