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Pesquisa Revela Mulheres Como Principais Cuidadoras de Autistas

Uma nova pesquisa nacional, intitulada “Mapa do Autismo no Brasil”, aponta que as mulheres representam a maioria entre os cuidadores de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os resultados detalhados serão divulgados oficialmente na próxima quinta-feira, dia 9 de maio, uma semana após o Dia de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de maio.

A realidade da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, ilustra este cenário. Mãe de João, de 18 anos, diagnosticado com autismo de leve a moderado aos 8 anos, Anaiara se dedica integralmente ao filho. Desde os dois anos de idade de João, ela tem buscado apoio de diversos especialistas. A dedicação levou-a a pedir demissão do emprego formal para trabalhar como autônoma, garantindo maior flexibilidade e suporte ao filho, intensificando seu papel após um divórcio. Recentemente, Anaiara teve a experiência de cursar jornalismo com João na mesma faculdade em Brasília, um sonho dele que ela escolheu compartilhar.

O Panorama Nacional do Autismo

O levantamento inédito, realizado pelo Instituto Autismos, uma organização não governamental, coletou respostas de 23.632 pessoas em todos os estados brasileiros. Destas, 18.175 são de indivíduos responsáveis por pessoas com autismo, enquanto 2.221 se identificam como responsáveis e também estão dentro do espectro. Além disso, foram contabilizadas 4.604 respostas de pessoas autistas com mais de 18 anos.

Ana Carolina Steinkopf, musicoterapeuta e presidente do Instituto Autismos, adiantou à Agência Brasil que a pesquisa revela que a “maior parte das cuidadoras são mulheres”, e “grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho”, destacando o impacto do cuidado em suas vidas profissionais.

Idade do Diagnóstico e Impacto Financeiro

Em contraste com o caso de João, que recebeu o diagnóstico aos 8 anos, a média de idade para o diagnóstico de TEA no Brasil tem se alinhado aos padrões internacionais, girando em torno dos quatro anos. Steinkopf ressalta a importância dessa antecipação, pois um diagnóstico mais precoce facilita o acesso a tratamentos e estímulos necessários, promovendo um desenvolvimento mais adequado.

O estudo também abordará o elevado custo das terapias, um fator de alerta para as famílias. O levantamento indica que os gastos ultrapassam R$ 1 mil mensais, com a maioria dos entrevistados utilizando planos de saúde para custear os tratamentos. Nas regiões Norte e Nordeste, observa-se uma maior dependência da estrutura do sistema público de saúde para obter acesso às terapias.

Ações do Setor Público e Direitos

Diante dos desafios de atendimento, o governo federal divulgou uma nota informando sobre a ampliação da assistência às pessoas com TEA, com um investimento de R$ 83 milhões. O Ministério da Saúde anunciou a habilitação de 59 novos serviços, que incluem Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado, com portarias a serem assinadas nesta quinta-feira.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou na nota que o objetivo é “estruturar uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no SUS, desde a identificação precoce na atenção primária até o atendimento especializado, com equipes multidisciplinares”.

Os dados coletados no mapeamento serão utilizados para formular recomendações destinadas aos poderes públicos federal e estaduais, visando aprimorar o atendimento. A pesquisadora Ana Carolina Steinkopf observa um crescimento anual na sensibilização e conscientização sobre o autismo, o que contribui para que a condição não seja invisibilizada e fomente mais pesquisas e especialistas na área. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 2,4 milhões de pessoas no Brasil sejam autistas.

Um diagnóstico precoce não só beneficia o desenvolvimento do indivíduo, mas também permite que as famílias busquem seus direitos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ações de inclusão nas áreas de educação, saúde e bem-estar.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo

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