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CPMI do INSS convocará empresário alvo da PF na segunda

Last Updated on: 3 de outubro de 2025

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes em descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouvirá na próxima segunda-feira (6), às 16h, o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti. O empresário, que atuava no Distrito Federal e foi sócio do advogado Nelson Wilians, é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto.

O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), confirmou a data durante reunião nesta quinta-feira (2), quando a CPMI ouviu o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho. A convocação de Cavalcanti foi aprovada em quatro requerimentos (REQ 1.818/2025, 1.822/2025, 1.907/2025 e 1.956/2025).

Motivos da oitiva

Segundo um dos pedidos, apresentado pela senadora Leila Barros (PDT-DF), Cavalcanti teve bens de alto valor apreendidos pela PF, entre eles uma Ferrari, uma réplica de carro de Fórmula 1, relógios de luxo e dinheiro em espécie. A senadora destacou ainda que o empresário figura como sócio e dirigente de companhias ligadas a segmentos relacionados ao esquema investigado.

Dez horas de depoimento da CGU

O depoimento de Vinicius Marques de Carvalho começou às 10h30 e durou cerca de dez horas. Ao abrir a sessão, Carlos Viana afirmou que a CPMI “cumprirá o seu dever” mesmo que outras instâncias não façam o mesmo. Ele criticou decisões judiciais que libertaram investigados detidos em flagrante pelo colegiado.

Relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) acusou a CGU de ter demorado a agir, permitindo que desvios em aposentadorias e pensões persistissem por dois anos. Segundo Gaspar, uma medida cautelar para suspender acordos de cooperação técnica (ACTs) poderia ter evitado prejuízo estimado em até R$ 2 bilhões.

Questionamentos sobre empréstimos consignados

Gaspar também pediu a suspensão cautelar dos empréstimos consignados a aposentados, apontando irregularidades superiores às registradas nos descontos associativos. Carvalho respondeu que a controladoria estuda o assunto e poderá adotar providências assim que a análise técnica estiver concluída.

Disputa política

No debate, o senador Rogerio Marinho (PL-RN) alegou aumento expressivo nos descontos associativos após o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu metade das fraudes a três entidades que firmaram ACTs ainda na gestão Jair Bolsonaro.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) considerou o depoimento esclarecedor e acusou oposicionistas de tentarem intimidar testemunhas. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que as discussões acaloradas lhe causaram angústia e defendeu foco na identificação dos responsáveis.

Próximos passos

Parlamentares da base e da oposição concordaram em convocar o ex-ministro da CGU Wagner Rosário para depor na semana seguinte, a fim de confrontar informações prestadas por Vinicius Marques de Carvalho.

Com a oitiva de Fernando Cavalcanti, a CPMI espera avançar na reconstrução do caminho do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas. A investigação segue concentrada nos ACTs firmados pelo INSS e no possível conluio entre entidades de classe, escritórios de advocacia e empresas de tecnologia que gerenciavam as folhas de pagamento.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Agência Senado

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