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Especialista defende bibliotecas vivas para ampliar remição de pena pela leitura em presídios

Especialista defende bibliotecas vivas para ampliar remição de pena pela leitura em presídios

A estruturação de acervos bibliográficos alinhados à realidade dos detentos e o papel estratégico dos profissionais da educação foram os eixos centrais da III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena. O evento, realizado em formato virtual nesta terça-feira (2), foi organizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e segue com programação nesta quarta-feira (3).

Estratégias para bibliotecas prisionais

A iniciativa é fruto de uma colaboração entre o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja) da Secretaria de Estado de Educação e o Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP). O encontro reuniu especialistas para debater como expandir o acesso à educação dentro das unidades prisionais.

Durante o painel sobre a formação de coleções de livros, a bibliotecária Andrea Oliveira Melo, chefe da Biblioteca Central da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, enfatizou que o espaço de leitura não pode ser apenas um depósito de exemplares. Segundo a especialista, que atua na área desde 2012, o planejamento deve ser focado nas necessidades reais do público, exigindo critérios rigorosos de seleção, qualificação e atualização constante das obras.

O livro como ferramenta de reinserção social

A palestrante reforçou que a existência de bibliotecas em unidades prisionais é uma determinação da Lei de Execução Penal. Para Andrea Oliveira Melo, o acesso à literatura funciona como um elo de reconexão entre o indivíduo e a sociedade, especialmente para aqueles que tiveram histórico de exclusão educacional. “Para ser uma biblioteca viva, ela precisa ser utilizada e ter foco nas pessoas que atende”, destacou durante sua apresentação.

Os resultados práticos dessa abordagem foram evidenciados com dados do sistema prisional amazonense. Até maio de 2026, os projetos de remição pela leitura no estado beneficiaram 3.974 pessoas privadas de liberdade. A especialista ressaltou que o objetivo central é garantir que a leitura chegue a todos os custodiados, independentemente de estarem matriculados em cursos formais.

Parcerias e resultados práticos

Entre as experiências exitosas compartilhadas, destacou-se uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O projeto de extensão, que atua na reescrita e produção textual, envolve cerca de 15 estudantes universitários e resulta na doação sistemática de livros para as bibliotecas das unidades prisionais, tanto masculinas quanto femininas.

Ao concluir sua participação, Andrea Oliveira Melo ressaltou a importância da leitura como um instrumento de liberdade intelectual, mesmo em ambiente de restrição física. A bibliotecária finalizou sua fala com uma reflexão sobre o impacto transformador dos livros no cárcere: “Podem aprisionar meu corpo, mas enquanto houver um livro, minha mente será livre”.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT

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