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STJ reforça limites entre comunicação oficial e promoção pessoal

Em meio à expansão das redes sociais, órgãos públicos e gestores enfrentam o desafio de divulgar ações governamentais sem transformar canais institucionais em vitrines pessoais. Especialistas alertam que, quando essa fronteira é ultrapassada, o uso de recursos públicos pode ser enquadrado como improbidade administrativa.

Direito à informação

A comunicação de prefeituras, governos estaduais, câmaras municipais e secretarias existe para garantir ao cidadão acesso a serviços, programas e políticas públicas. Segundo advogados da área, esses canais devem priorizar utilidade, transparência e prestação de contas, com linguagem clara e acessível.

Práticas que colocam gestores em risco

Entre as condutas consideradas inadequadas estão:

Páginas têm funções distintas

Especialistas reforçam que a página institucional pertence ao órgão e deve permanecer ativa independentemente de quem ocupe o cargo. Já o perfil pessoal do gestor serve para opiniões, posicionamentos políticos e rotina fora da estrutura oficial. A mistura dos dois universos, afirmam, é um erro frequente que potencializa riscos jurídicos.

Decisão recente do STJ

O tema ganhou novo impulso após julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo o ex-prefeito de São Paulo, João Doria. A Corte reconheceu que houve promoção pessoal em campanhas de comunicação realizadas durante sua gestão. Segundo a ação, mais de 20% da verba de um programa municipal teria sido destinada à divulgação de conteúdos que também abasteceram perfis pessoais do então prefeito.

Para o STJ, verba pública não pode financiar material que exalte individualmente a autoridade. O entendimento consolidou a tese de que canais do governo servem à coletividade e não podem ser usados para construir imagem eleitoral de quem ocupa o cargo.

Instrumento de transparência, não de autopromoção

Juristas lembram que a boa comunicação pública fortalece a confiança da sociedade e legitima a gestão. Quando empregados fora desse propósito, canais oficiais colocam instituições e gestores sob suspeita, além de abrirem caminho para ações por improbidade administrativa e ressarcimento ao erário.

Com a decisão do STJ e a crescente fiscalização de tribunais de contas e Ministério Público, comunicadores e administradores públicos são orientados a reforçar normas internas, delimitar responsabilidades e separar, de forma inequívoca, a dimensão institucional da atuação política pessoal.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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