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Operação Véu prende estudante por série de sextorsões em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã desta quarta-feira (4), uma estudante de Direito de Tangará da Serra, a 253 quilômetros de Cuiabá, acusada de comandar um esquema de sextorsão com pelo menos 15 vítimas em vários estados.

O flagrante ocorreu durante a Operação Véu, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco). A ação cumpriu mandado de prisão preventiva, buscas, apreensão de equipamentos e quebras de sigilo determinadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá.

Como funcionava o esquema

De acordo com o inquérito coordenado pelo delegado Antenor Pimentel, a investigada vasculhava sites de relacionamento em busca de homens, mulheres e, principalmente, casais adeptos do chamado “estilo de vida liberal”. A partir das informações coletadas, ela reunia fotos íntimas, perfis nas redes sociais, locais de trabalho e outros dados pessoais.

Com o material em mãos, a suspeita elaborava minuciosos dossiês em PDF, nos quais mesclava as imagens sensíveis com identificações das vítimas. Os arquivos eram então enviados por aplicativos de mensagem acompanhado de ameaças: ou a pessoa pagava determinada quantia, ou o conteúdo seria divulgado a familiares, amigos e colegas de profissão.

Investigações apontam que, em alguns casos, a divulgação ocorreu quando as exigências não foram atendidas, ampliando o abalo psicológico dos alvos. “O dano não se resumiu à ameaça; houve efetiva exposição de intimidades”, esclareceu o delegado.

Provas apreendidas

Durante as buscas na residência da universitária, policiais encontraram registros digitais ligados às extorsões, como prints de negociações, listas de contatos e registros dos pagamentos cobrados. Todo o material será periciado e anexado ao processo por extorsão e divulgação de conteúdo sexual sem consentimento, crimes previstos no Código Penal e na Lei 13.718/2018.

Outros envolvidos

A Justiça também autorizou a busca em um endereço de Alta Floresta, onde vive um homem apontado como colaborador do esquema. Apresentando-se como “hacker” e designer gráfico, ele teria facilitado o acesso a dados das vítimas e a diagramação dos dossiês utilizados na chantagem.

Orientação da Polícia

Pimentel recomendou prudência na troca de imagens íntimas e na exposição em plataformas de relacionamento. “O ambiente virtual pode ser explorado por pessoas que se aproveitam desse tipo de conteúdo para cometer crimes”, alertou.

O nome da operação faz referência ao véu como símbolo de proteção da intimidade violada das vítimas. A estudante permanece à disposição da Justiça, e as investigações prosseguem para identificar eventuais novos alvos e colaboradores.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de ReporterMT

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