O futuro do Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá, depende de uma reunião ainda sem data entre a comissão de credores trabalhistas e representantes do Governo de Mato Grosso. O encontro foi solicitado pelos advogados que atuam em nome de cerca de 800 ex-funcionários e confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A pauta principal será a proposta de R$ 25 milhões apresentada pelo governador Mauro Mendes (União Brasil) para a compra do imóvel, formalizada em fevereiro depois de meses em que o chefe do Executivo descartava a aquisição. A juíza Eliane Xavier de Alcântara, responsável pela execução coletiva, determinou que a manifestação da comissão seja entregue ao TRT em até cinco dias após a reunião, com possibilidade de ajustes nas condições oferecidas.
Demais ofertas na mesa
Além da oferta estadual, há outras duas propostas de entidades paulistas:
- Instituto São Lucas – R$ 20 milhões, dos quais R$ 15 milhões à vista e o restante parcelado em seis meses. A organização social administra o Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, em Nova Mutum.
- Instituto Evangelístico São Marcos – R$ 40 milhões, com carência de 12 meses e parcelas mensais fixas de R$ 500 mil. Uma comitiva do instituto já realizou vistoria técnica no hospital.
As ofertas privadas foram protocoladas entre janeiro e fevereiro de 2026. A comissão de credores quer avaliar em conjunto todos os cenários antes de tomar posição definitiva.
Avaliação do imóvel e disputa política
O prédio da Santa Casa foi inicialmente avaliado pela Justiça em R$ 78,2 milhões. Sem interessados no primeiro edital, publicado em julho de 2025, o valor caiu para R$ 39,1 milhões em novo certame. Em meio à discussão, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, declarou que a unidade valeria entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, faixa que coincide com a oferta feita pelo governo.
Conforme a Secretaria de Estado de Saúde, cerca de 70% dos serviços hoje prestados na Santa Casa devem ser transferidos para o Hospital Central, inaugurado em 19 de dezembro de 2025.
Dívidas trabalhistas e execução coletiva
Filantrópica, a Santa Casa acumula dívidas trabalhistas estimadas em R$ 48 milhões. Desde que o Estado assumiu a gestão em 2019, foram repassados R$ 26 milhões em aluguel pelo uso do imóvel — valor destinado a quitar parte dos salários atrasados. O contrato previa pagamento mensal de pouco mais de R$ 460 mil.
Para resolver o passivo, o TRT concentrou 860 processos em uma execução coletiva. Até o momento, 384 ações foram liquidadas, totalizando R$ 7,3 milhões. A venda do prédio deverá financiar a quitação dos 470 processos ainda pendentes.
Em 2019, a crise financeira provocou atraso salarial de aproximadamente sete meses, culminando na intervenção estadual. A expectativa de trabalhadores e da Justiça é que a escolha do comprador encerre o impasse e permita o pagamento das verbas devidas.
A data da reunião entre governo e credores será definida nos próximos dias pelo TRT. Até lá, todas as propostas permanecem válidas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
