O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (4) um projeto de lei que estende o período da licença-paternidade para até 20 dias. A proposta, identificada como PL 5811/2025, agora aguarda a sanção presidencial para se tornar lei. A medida visa fortalecer a participação paterna nos cuidados iniciais com os filhos, equiparando, de forma gradual, os direitos parentais aos já concedidos para a maternidade.
Este tema tem sido objeto de longos debates no Congresso Nacional, perdurando por 19 anos. A discussão teve início com a apresentação do projeto original pela ex-senadora Patrícia Saboya, em 2007, e foi relatada no Senado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA). Anteriormente, a matéria já havia recebido a aprovação da Câmara dos Deputados em novembro do ano passado, marcando um avanço significativo após anos de tramitação.
Entre as principais novidades introduzidas pelo projeto está a criação do salário-paternidade, um benefício previdenciário que busca oferecer suporte financeiro aos pais durante o período de afastamento do trabalho. A legislação também prevê a flexibilidade de dividir a licença em períodos, adaptando-se melhor às necessidades familiares e profissionais. O objetivo central é assegurar uma proteção à paternidade semelhante às garantias já estabelecidas para as mães, reconhecendo a importância do envolvimento paterno desde os primeiros dias de vida da criança.
Implementação Gradual da Licença
A ampliação da licença-paternidade não ocorrerá de forma imediata em seu período máximo. O texto aprovado estabelece um cronograma de implementação gradual, garantindo uma transição ordenada. Nos dois primeiros anos de vigência da futura lei, o período será de 10 dias. No terceiro ano, a licença será estendida para 15 dias. A partir do quarto ano de vigência, os pais terão direito a 20 dias de licença-paternidade.
Benefícios e Argumentos para a Medida
A aprovação do projeto é fundamentada em diversos argumentos que ressaltam a relevância da medida. Um dos principais pontos é a promoção de uma maior participação dos pais nos cuidados com os filhos recém-nascidos ou recém-adotados. Além disso, a nova lei busca garantir a estabilidade no emprego para os pais durante e após o período de licença, protegendo-os contra demissões arbitrárias.
A licença-paternidade estendida é também vista como um importante incentivo à igualdade de gênero no mercado de trabalho. Ao valorizar e reconhecer a fundamental importância do papel paterno na criação e desenvolvimento dos filhos, a legislação contribui para desmistificar a ideia de que o cuidado parental é exclusivamente feminino, promovendo uma divisão mais equitativa das responsabilidades familiares e profissionais.
Durante a votação na Câmara dos Deputados, em novembro do ano passado, o relator Pedro Campos (PSB-PE) enfatizou a universalidade do direito ao cuidado infantil. “Nenhum direito é mais fundamental do que o de nascer cercado de cuidado”, afirmou o deputado, relembrando que o tema da licença-paternidade é debatido desde a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988, evidenciando a longa jornada até a concretização desta importante pauta social.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google Notícias
