O plantio da segunda safra de milho no Brasil, conhecida como safrinha, aproxima-se do fim sob a influência de um atraso considerável no início de sua janela. Essa situação eleva o risco climático e pode comprometer o potencial produtivo em diversas regiões. A dependência de chuvas bem distribuídas em abril e maio torna-se decisiva para o sucesso da colheita.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que o plantio alcançou 95,5% da área até o final de março, abaixo dos 97,9% do ano anterior, mas próximo da média histórica. O principal atraso ocorreu em fevereiro, impulsionado pelo excesso de chuvas e pela colheita tardia da soja, que limitaram o avanço das máquinas no campo.
O problema vai além do percentual plantado, concentrando-se no deslocamento do calendário. Grande parte da área foi semeada fora da janela ideal, especialmente em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais, o que aumenta a exposição das lavouras ao período seco do outono.
Panorama Regional da Safrinha
No Centro-Oeste, principal área da safrinha, o cenário é heterogêneo. Mato Grosso, que produz quase metade do milho nacional, avançou com regularidade e apresenta menor risco. Contudo, em Goiás, cerca de 70% da área foi plantada fora do prazo ideal, elevando a vulnerabilidade à falta de chuvas. Mato Grosso do Sul viu o plantio perder ritmo em momentos críticos. No Paraná, já se reportam perdas de potencial produtivo devido à baixa umidade e altas temperaturas.
No Matopiba, o excesso de precipitações atrasou as operações, com alguns casos de redução de área. Em Minas Gerais, o percentual plantado ficou abaixo do esperado no início da safra, indicando mais lavouras fora do período ideal.
Impacto na Produção e Projeções
O atraso operacional tem origem direta na soja. A colheita mais lenta da oleaginosa, causada por chuvas irregulares no início do ano, encurtou a janela para o milho. Consequentemente, a cultura entra em fases críticas, como florescimento e enchimento de grãos, em um período historicamente com menos chuvas.
As projeções já refletem este cenário. A safrinha 2025/26 é estimada em 108 milhões a 109 milhões de toneladas, um leve recuo das expectativas iniciais, mesmo com aumento de área. O milho brasileiro total deve atingir cerca de 138 milhões de toneladas, com estabilidade, mas sob risco de revisão negativa conforme o clima das próximas semanas.
Preocupações Climáticas e Desafios
A preocupação central é climática. Modelos indicam maior irregularidade das chuvas no outono e redução de volumes a partir de maio, período de maior demanda hídrica das lavouras. Em áreas tardiamente semeadas, o risco de estresse hídrico é maior, afetando diretamente o enchimento de grãos.
O calendário deslocado também aumenta a exposição a outros riscos, como temperaturas elevadas e a possibilidade de geadas no Sul, que podem comprometer o rendimento.
Para o produtor, o cenário exige atenção redobrada no manejo e nas decisões comerciais. A safrinha representa mais de 70% da produção nacional de milho e é vital para o abastecimento interno. Uma frustração ampla pode sustentar preços e pressionar custos na cadeia de proteína animal.
No curto prazo, o resultado da safra depende menos da área plantada e mais da qualidade climática nas próximas oito semanas. É nesse intervalo que se definirá se o atraso será apenas de calendário ou se converterá em quebra efetiva de produção.
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