Uma mulher de 70 anos recorreu à Polícia Militar na manhã de sexta-feira (3) após sofrer novos xingamentos dentro de casa, no bairro São Francisco, em Cuiabá (MT). O filho dela, o mecânico W. L. M., 41 anos, foi preso em flagrante por injúria e violência psicológica.
Segundo o boletim de ocorrência, a confusão começou por volta das 11h30, quando o homem chegou em casa aparentemente embriagado. De acordo com o relato da mãe, ele passou a insultá-la com termos como “biscate”, “vagabunda” e “macumbeira”, além de dizer que ela “não vale nada”. Temendo uma escalada da agressão, a idosa telefonou para o 190.
A equipe formada pelos policiais Jean Pool Corrêa e Valdemir Rodrigues dos Santos encontrou a vítima ofegante e abalada. Hipertensa, ela relatou que precisou de medicação para conter a pressão arterial. O agressor foi detido no local e levado ao Plantão de Atendimento à Vítima de Violência Doméstica e Sexual.
Abusos frequentes
Em depoimento, a idosa afirmou que as ofensas são constantes. Ela contou que o filho já registrou um vídeo dela chorando e enviou a amigos para humilhá-la. Um Instrumento de Avaliação de Violência Psicológica, preenchido por assistente social, aponta que os xingamentos, inclusive “macumbeira” e “demônio”, ocorrem na frente dos netos. O documento registra sintomas como tremores, taquicardia, irritabilidade e sentimento de desvalorização.
A vítima relatou ainda que o filho costuma quebrar móveis e objetos dela durante crises de fúria e que, para punir a avó, demonstra agressividade contra as próprias crianças. O relatório indica uso abusivo de álcool e drogas pelo investigado, dificuldades financeiras e histórico de violência contra mulheres.
Pedido de proteção
Diante do delegado João Henrique de Brito Santos, a mulher decidiu representar criminalmente contra o filho e solicitou medidas protetivas de urgência. Ela declarou que não quer mais a presença dele na residência, onde ele vive com a esposa e quatro filhos.
Durante o interrogatório, W. L. M. negou todas as acusações. Questionado sobre os insultos, respondeu que “não houve xingamento” e atribuiu a falta de ar da mãe à idade e ao nervosismo dela. O mecânico, que disse ganhar R$ 3 mil por mês, perguntou se havia provas contra ele e mencionou que “tem crianças para sustentar”.
Apesar da negativa, o delegado manteve a prisão em flagrante por injúria — agravada por ser cometida contra ascendente — e por violência psicológica, prevista no artigo 147-B do Código Penal. Considerando o risco de continuidade do abuso, não foi arbitrada fiança. O suspeito foi encaminhado para audiência de custódia e o inquérito seguirá para a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT
