Um comerciante que atua há mais de duas décadas no centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, relatou nesta semana uma forte retração no movimento de clientes em seu estabelecimento. Segundo ele, as vendas vêm caindo de forma contínua nos últimos meses, influenciadas pelas condições atuais da economia.
O empresário, que preferiu não ter o nome divulgado, afirma que o comércio local perdeu fôlego desde o início do ano. “A gente abre as portas cedo, mas o fluxo diminuiu muito. Antes, eu precisava de dois funcionários extras nos horários de pico; agora, trabalho praticamente sozinho”, descreveu.
Durante a conversa, o lojista responsabilizou diretamente políticas federais por sua situação. Ao citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, usou palavras duras: “O pai dos pobres f*deu o país”, declarou, referindo-se a medidas que, na avaliação dele, comprometeram a confiança de consumidores e empresários.
De acordo com o comerciante, a combinação de inflação nos alimentos, alta de custos operacionais — como aluguel e energia — e juros elevados reduziu o poder de compra da população. “Quando o cliente precisa escolher entre pagar a conta de luz e comprar um produto aqui, ele vai priorizar a conta. Isso se reflete diretamente no caixa”, afirmou.
Expectativa de recuperação
Apesar do tom crítico, o proprietário não descarta uma reação do mercado. Ele aposta na chegada de datas comemorativas do segundo semestre para recuperar parte do faturamento. “Tomara que, no próximo trimestre, o movimento volte ao normal. A gente depende muito do fim de ano para fechar as contas”, ressaltou.
Especialistas consultados por entidades locais do comércio apontam que a região de Duque de Caxias acompanha a tendência nacional de desaceleração nas vendas do varejo. O último boletim da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra recuo de 1,3% no volume vendido em todo o país na comparação com o mesmo período do ano passado.
Na avaliação do comerciante, medidas de incentivo ao crédito e redução de impostos ajudariam a impulsionar o setor. “Se o governo não criar condições, muitas lojas vão fechar as portas. Eu mesmo já pensei em reformular o negócio ou migrar para vendas on-line. Mas nem todos têm como investir em tecnologia agora”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder