A castanha de baru, fruto nativo do Cerrado brasileiro, ganhará visibilidade internacional entre 10 e 13 de fevereiro de 2026. O produto será exibido na Biofach, feira sediada em Nuremberg, Alemanha, considerada a maior vitrine europeia de alimentos orgânicos e sustentáveis.
A iniciativa envolve o Sebrae Minas, a Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase), o WWF-Brasil e conta com apoio da Fundação para o Desenvolvimento do Cerrado (Fumbio). O principal objetivo é consolidar a internacionalização do baru após a autorização da União Europeia, concedida em meados de 2025, para a importação da castanha pelos 27 países do bloco.
Superalimento brasileiro no radar europeu
Rica em proteínas, fibras e minerais, além de possuir baixo teor calórico, a castanha de baru tem se destacado como um dos superfoods mais promissores do Brasil. Segundo o gerente do Sebrae Minas na Regional Noroeste e Alto Paranaíba, Marcos Alves, o fruto oferece “grande potencial para gerar renda e desenvolvimento sustentável às comunidades do Cerrado”.
Alves ressalta que a entrada no mercado europeu fortalece toda a cadeia de extrativismo sustentável. “O baru representa oportunidade de negócios e impactos positivos na renda das famílias cooperadas, além de contribuir para a conservação ambiental”, aponta.
Feira abre portas para novos negócios
Para a gestora da Copabase, Dionete Figueiredo, participar da Biofach 2026 é estratégico para posicionar o fruto em novos mercados consumidores. “É uma feira que valoriza alimentação saudável e sustentável. Pretendemos estabelecer contatos e criar oportunidades de negócios que possam se concretizar nos próximos anos”, afirma.
Com a presença no evento, a cooperativa também pretende acompanhar tendências globais, elevar a competitividade do produto e reforçar o Cerrado como origem de alimentos de alto valor socioambiental.
Produção e desafios climáticos
Atualmente, a Copabase beneficia cerca de 15 toneladas de castanha de baru por ano. A cadeia produtiva envolve 70 produtores associados e aproximadamente 300 famílias, desde a coleta do fruto até o processamento e a venda. Apesar desse volume, condições climáticas adversas reduziram a safra vigente.
Mesmo diante da queda na produção, Dionete destaca a importância de manter a estratégia de divulgação internacional. “Queremos mostrar o potencial do baru e o trabalho das comunidades que o produzem de forma sustentável. Esperamos que, em 2027, possamos colher os frutos desses esforços com volumes maiores e novos contratos”, projeta.
Mercado europeu em expansão
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que a União Europeia é o segundo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras. Em 2025, o bloco importou US$ 21,8 bilhões em produtos do setor. A inclusão da castanha de baru na pauta de exportações reforça a posição do Cerrado como fonte de alimentos nativos de alto valor nutricional e ambiental.
Com a participação na Biofach 2026, a expectativa das entidades envolvidas é ampliar o reconhecimento internacional do baru, firmar parcerias comerciais e contribuir para a geração de renda em bases sustentáveis nas regiões onde o fruto é coletado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
