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Castanha de Baru do Cerrado Rumo à Europa em Feira Orgânica

A castanha de baru, fruto nativo do Cerrado brasileiro, será apresentada ao mercado internacional durante a Biofach 2026, a principal feira de produtos orgânicos da Europa. O evento ocorrerá em Nuremberg, na Alemanha, entre os dias 10 e 13 de fevereiro. Esta iniciativa representa a primeira ação de promoção internacional do produto desde que a União Europeia autorizou sua exportação para os países do bloco, em meados de 2025.

A participação é fruto de uma colaboração entre o Sebrae Minas, a Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) e o WWF-Brasil, com o apoio da Fumbio. O objetivo central é impulsionar a internacionalização da castanha de baru, que é originária do Vale do Urucuia e do Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais. A expectativa é ampliar o reconhecimento do baru como um superalimento e estabelecer novas parcerias comerciais e institucionais.

Superalimento do Cerrado em Destaque Global

Reconhecido por sua riqueza em proteínas, fibras e minerais, além do baixo teor calórico, o baru tem se firmado como um dos superalimentos brasileiros com maior potencial no mercado global de produtos saudáveis. Marcos Alves, gerente do Sebrae Minas na Regional Noroeste e Alto Paranaíba, enfatiza o grande potencial do produto para gerar renda e promover o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

Segundo Alves, a recente abertura do mercado europeu solidifica as perspectivas para o baru, representando não apenas uma oportunidade de negócio, mas também o fortalecimento da cadeia de extrativismo sustentável. Ele projeta impactos positivos tanto na renda das famílias cooperadas quanto na conservação ambiental. A presença na Biofach permitirá à Copabase acompanhar as tendências mundiais, aprimorar sua competitividade e agregar valor à produção regional, ao mesmo tempo em que promove o Cerrado como uma fonte relevante de alimentos sustentáveis.

Biofach 2026: Uma Vitrine Estratégica

Dionete Figueiredo, gestora da Copabase, descreve a participação na Biofach como uma oportunidade estratégica para fortalecer a marca da cooperativa e introduzir o baru em novos mercados consumidores internacionais. Ela ressalta a importância da feira na valorização da alimentação saudável e sustentável, expressando a esperança de iniciar diálogos, estabelecer contatos e criar oportunidades de negócios que possam se consolidar nos próximos anos.

A expectativa é que o evento atue como um ponto de partida para a castanha de baru no mercado europeu, consolidando a Copabase como uma referência na organização da cadeia extrativista e na produção sustentável da sociobiodiversidade brasileira.

Produção e Desafios Climáticos

Atualmente, a Copabase processa e comercializa aproximadamente 15 toneladas de castanha de baru anualmente. A cadeia produtiva envolve 70 produtores associados e cerca de 300 famílias, abrangendo desde a coleta dos frutos por extrativistas até o processamento e a venda. Contudo, as condições climáticas desfavoráveis impactaram a safra atual, resultando em uma redução no volume de produção.

Mesmo diante deste cenário, a cooperativa mantém seu foco na divulgação do produto e na consolidação de sua imagem em nível internacional. Dionete Figueiredo explica que, apesar da safra atual estar abaixo da média, a presença na feira é crucial para demonstrar o potencial do baru e o trabalho das comunidades que o produzem de forma sustentável. A gestora projeta que os esforços atuais trarão resultados em 2027, com volumes de produção maiores e novos contratos.

União Europeia: Mercado Vital para o Brasil

Conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a União Europeia representa o segundo maior destino das exportações agropecuárias brasileiras. Em 2025, o bloco de 27 países importou US$ 21,8 bilhões em produtos agrícolas do Brasil. A entrada da castanha de baru neste mercado estratégico expande a pauta exportadora brasileira de alimentos sustentáveis, fortalecendo a percepção do Cerrado como uma fonte de produtos nativos de elevado valor nutricional e ambiental.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio

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