A advogada e consultora política Mariana Bonjour recorreu aos ensinamentos do clássico “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, para criticar a forma como campanhas eleitorais e mandatos vêm sendo conduzidos no Brasil. Em artigo publicado nesta sexta-feira (17) no portal RDNews, ela defende que a vitória mais importante ocorre antes do primeiro pedido de voto, quando o candidato consolida credibilidade e confiança junto ao eleitorado.
Segundo Bonjour, o problema central reside na inversão de prioridades. Hoje, partidos e pré-candidatos iniciam a disputa com slogans de impacto, promessas de efeito imediato e respostas ruidosas a críticas. Para a colunista, essa sequência equivale a entrar em combate sem ter garantido conquista simbólica, moral ou “territorial” — fatores que, na análise de Sun Tzu, definem o vencedor antes mesmo da primeira batalha.
Confiança antecede propostas
No texto, a consultora sustenta que comunicação estratégica deve ser iniciada muito antes do período eleitoral oficial, num momento em que o eleitor “ainda não decidiu se vai confiar, rejeitar ou ignorar” qualquer candidatura. O objetivo, afirma, é compreender emoções acumuladas, nível de frustração e disposição para ouvir. “Quem ignora esse estágio e larga falando de propostas, números ou promessas fala com alguém que nem decidiu se vai acreditar”, escreve.
Bonjour argumenta que, quando um político precisa gritar para ser ouvido, reagir a toda crítica ou justificar cada ato, perdeu a vantagem principal: o controle da percepção pública. “Visibilidade não é força; exposição não é presença; resposta não é estratégia”, reforça.
Erro recorrente em campanhas brasileiras
Para a articulista, campanhas nacionais costumam confundir coragem com planejamento. Ela cita práticas como polarização permanente, embates diários e produção de frases de efeito nas redes, consideradas por ela meros ruídos. “Quem vive em reação vive em desvantagem. Quem fala o tempo todo não controla o silêncio”, resume.
No campo político, acrescenta a consultora, o oponente real não é outro candidato, mas o ceticismo do eleitor. Vencer com antecedência, portanto, significa minar essa desconfiança por meio de coerência no discurso, repetição de gestos e previsibilidade ética. “O terreno mais alto é a credibilidade. Ela não se constrói na campanha; constrói-se antes”, aponta.
Estratégia como gestão de tempo
Inspirada em Sun Tzu, Mariana Bonjour conclui que estratégia política é, sobretudo, “saber esperar, preparar e escolher o momento”. Na avaliação dela, quem constrói reputação consistente antes da disputa não precisa bradar durante o período eleitoral. “Quando chega a eleição, basta existir; o eleitor já decidiu quem merece ser ouvido.”
A consultora reforça que antecipar-se à batalha não se trata de manipulação, mas de respeito à inteligência emocional do público. Para ela, falta exatamente esse componente na maior parte das campanhas brasileiras recentes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
