Organizações representativas da cadeia orizícola do Rio Grande do Sul anunciaram, nesta quinta-feira (5), um pacote de iniciativas para enfrentar a queda de rentabilidade no setor e recuperar a competitividade do arroz gaúcho. A Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) detalharam as propostas em coletiva de imprensa realizada em Porto Alegre.
Sete medidas prioritárias
O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, expôs sete ações consideradas essenciais para o curto e o médio prazo:
1. Transparência de mercado: divulgação periódica do cenário previsto até 2026, orientando a redução da área plantada.
2. Novas formas de venda: criação de mecanismos comerciais e estímulo a exportações por meio de Contrato de Depósito de Origem (CDO).
3. ICMS menor: redução temporária do imposto na época de maior oferta, igualando condições ao Paraguai.
4. Escalonamento de dívidas: desconcentração dos vencimentos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) hoje acumulados em março e abril.
5. Alongamento de custeios: renegociação de prazos com instituições financeiras.
6. Fiscalização de qualidade: pesquisa e inspeção para coibir a venda de arroz fora do padrão declarado nas embalagens.
7. Diversificação de usos: estudo de aplicações industriais, como produção de etanol, para ampliar o mercado.
Contexto de forte pressão
De acordo com o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a combinação de supersafra prevista no Mercosul em 2025, entrada adicional da Índia no comércio internacional, crédito restrito e juros elevados provocou queda acentuada nos preços. “O resultado foi um endividamento expressivo dos produtores”, afirmou.
Nunes também apontou perda de competitividade na indústria local. Parte do beneficiamento migrou para Minas Gerais e São Paulo, que têm importado arroz paraguaio com tributação mais favorável. “Precisamos restabelecer a simetria de condições dentro do Mercosul”, defendeu, citando a importância de rever a alíquota de ICMS para equilibrar custos.
Pesquisa para agregar valor
Além das medidas de emergência, o setor aposta em novos mercados sem comprometer o abastecimento alimentar. Federarroz, Irga, Embrapa Agroenergia e empresas privadas analisam o uso do arroz como matéria-prima na fabricação de etanol e outros produtos. “A alta produtividade do grão gaúcho pode gerar emprego e renda, sobretudo na metade sul do estado”, destacou Nunes.
Ação coordenada
Na abertura da coletiva, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, enfatizou a necessidade de proatividade. Segundo ele, a cadeia se antecipa a uma concentração de vendas prevista para o primeiro semestre de 2026, quando grande volume da safra chegará ao mercado. “Queremos identificar gargalos antes que afetem toda a produção”, declarou.
As entidades pretendem apresentar o plano a bancos, indústrias, governos estadual e federal e ao Mercosul nas próximas semanas. A expectativa é implementar parte das medidas ainda na atual temporada de comercialização.
Com a agenda conjunta, produtores, indústria e governo esperam reduzir impactos imediatos da crise de preços e preparar o setor para competir em cenários de oferta global crescente e custos domésticos elevados.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
