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Melhoramento genético eleva produção de leite em Alta Floresta

A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar de Mato Grosso (Seaf-MT) alcançou 4.195 prenhezes confirmadas em propriedades familiares desde 2020 por meio do Programa de Melhoramento Genético do Rebanho Leiteiro. O investimento já soma R$ 7,2 milhões e tem mudado a realidade de pequenos produtores, segundo a coordenadora da iniciativa, a médica-veterinária Vânia Ângela.

Em Alta Floresta, no norte do estado, os resultados chamam atenção. O município recebeu 500 doses de sêmen, 30 novilhas prenhes — metade custeada pela Seaf e metade pela Cooperativa Ouro Verde — e confirmou 186 prenhezes. O aporte direto nessa etapa foi de R$ 780.331,03, consolidando a cidade como referência em genética leiteira.

Exemplo no Sítio dos Ypês

O produtor Daniel Carlesso, do Sítio dos Ypês, trabalha com a família em 75 hectares e cerca de 100 vacas. A propriedade foi beneficiada com 16 prenhezes; 11 bezerras já nasceram e três delas já emprenharam. “Antes já tínhamos uma produção boa, mas com o melhoramento genético fomos além”, relatou. Uma novilha da primeira fase do projeto alcançou 32 litros de leite por dia, mesmo sendo primípara, e foi destaque em torneio regional.

No último concurso leiteiro da região, animais nascidos no sítio conquistaram as cinco primeiras colocações. Uma vaca oriunda do programa da Seaf ficou em terceiro lugar ao produzir 31,5 litros diários. Para Carlesso, a genética só gera resultado quando vem acompanhada de nutrição adequada e manejo correto. “Hoje entendemos que esses três fatores andam juntos”, afirmou.

Demanda das indústrias

O programa surgiu para combater a ociosidade de até 40% registrada em laticínios do estado. A Seaf optou por oferecer sêmen de alto padrão, transferência de embriões e entrega de novilhas prenhes, adotando genética adaptada à agricultura familiar. Apesar de resistência inicial, técnicos e produtores aderiram rapidamente à proposta.

De acordo com Vânia Ângela, vacas que antes produziam 5 litros por dia agora chegam a 20 ou 30 litros, elevando a renda e estimulando a permanência das famílias no campo. Cooperativas relatam aumento de 1,5% a 2% na captação de leite após a chegada dos novos animais.

Participação e expansão

Para ingressar no projeto, produtores devem ser indicados por associações, cooperativas ou prefeituras (estas últimas, apenas nas modalidades de sêmen e embriões). A Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) faz a avaliação das propriedades quanto à capacidade de produção e estrutura.

Até agora, 1.080 produtores de 32 municípios foram contemplados. A quarta fase já está licitada e garantirá mais R$ 6 milhões ao programa, ampliando a distribuição de material genético e de novilhas prenhes.

A coordenadora destaca ainda o papel das mulheres no avanço tecnológico: “Muitas vezes são elas que convencem a família a participar; onde tem mulher liderando, o projeto anda”. A especialista reforça que a tecnologia não se restringe a grandes fazendas. “O pequeno produtor não pode ter medo. Quando vê que funciona, ele muda a visão e toda a família é transformada”.

Mais informações sobre o programa podem ser obtidas no site da Seaf: agriculturafamiliar.mt.gov.br/leite1.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MT Esporte

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