Heloisa de Carvalho Martin Arribas, filha do escritor e polemista Olavo de Carvalho, foi encontrada morta na noite de quarta-feira (7) em sua casa, em Atibaia, interior de São Paulo. Um amigo localizou o corpo e acionou a Polícia Civil, que chegou ao imóvel às 22h52 e permaneceu no local até cerca de 2h desta quinta-feira (8).
De acordo com o boletim de ocorrência, Heloisa estava deitada de costas sobre a cama. Ao lado dela havia um copo contendo um líquido alaranjado. Na cozinha, os policiais encontraram uma lata de cerveja aberta, duas garrafas de bebida alcoólica vazias e uma garrafa de água com resíduos esbranquiçados.
Os agentes também recolheram dois frascos vazios de Epilenil — medicamento anticonvulsivante cujo princípio ativo é o valproato de sódio — e um frasco, ainda pela metade, do antifúngico Nistatina. Todo o material foi encaminhado para análise pericial.
Atendimento médico no dia anterior
O registro policial informa que a vítima havia sido atendida no dia 6 de fevereiro com suspeita de intoxicação medicamentosa. Após avaliação médica, ela recebeu alta hospitalar e retornou para casa.
Inicialmente, a investigação trabalha com a hipótese de suicídio, mas a causa da morte só será confirmada após o laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) e a conclusão dos exames toxicológicos.
Conflitos familiares e disputas judiciais
Heloisa Carvalho mantinha divergências públicas com o pai, falecido em janeiro de 2022. Em dezembro passado, ela afirmou ter sido excluída do testamento do escritor, mas declarou que contava com direitos sobre eventuais royalties e que figuraria como beneficiária de um seguro de vida deixado por Olavo.
A relação conturbada chegou a envolver processos judiciais. Em 2017, Olavo de Carvalho apresentou queixa-crime contra a filha, posteriormente arquivada. O nome de Heloisa também ganhou destaque em junho de 2020, quando ela colaborou com o Ministério Público ao repassar informações que ajudaram a localizar Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num imóvel em Atibaia.
Análise de substâncias e próximos passos
Peritos recolheram amostras de todos os líquidos e medicamentos achados na residência. A Polícia Civil examina ainda o histórico clínico da vítima, os atendimentos médicos registrados e possíveis interações medicamentosas que possam ter contribuído para o óbito.
Com a investigação em fase inicial, nenhuma linha de apuração foi descartada. O inquérito seguirá acompanhado pelos laudos periciais e pelos depoimentos de testemunhas, incluindo o amigo que encontrou o corpo.
As autoridades não divulgaram previsão para a conclusão dos exames, que deverão indicar a causa exata da morte e esclarecer se houve ingestão voluntária ou acidental de substâncias.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política