Uma maioria qualificada de países da União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) a proposta de assinatura do acordo de livre-comércio entre o bloco europeu e o Mercosul, classificando o tratado como o maior já negociado pela UE. A decisão foi tomada em reunião dos embaixadores dos 27 Estados-membros em Bruxelas, segundo diplomatas ouvidos pelo Politico e confirmada pela agência Reuters.
França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra, enquanto a Bélgica se absteve. Mesmo assim, o quorum mínimo — apoio de ao menos 15 países que somem 65% da população do bloco — foi alcançado. As capitais europeias ainda podem apresentar objeções formais até as 17h (horário de Bruxelas), 13h em Brasília.
Próximos passos
O texto segue agora para análise do Conselho Europeu, que também se reúne nesta sexta-feira. Caso receba sinal verde definitivo, o documento será encaminhado ao Parlamento Europeu. Aprovado pelos eurodeputados, caberá à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajar ao Paraguai para a assinatura formal com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai na próxima segunda-feira (12).
O Paraguai assumiu a presidência rotativa do Mercosul em 20 de dezembro de 2025, sucedendo o Brasil, e será o anfitrião da cerimônia.
Salvaguardas agrícolas
Para vencer resistências internas, sobretudo de França e Irlanda, foram incluídas cláusulas de proteção ao setor agropecuário europeu. Caso as importações de produtos sul-americanos cresçam além de limites pré-estabelecidos, mecanismos de salvaguarda poderão ser acionados para restringir a entrada de mercadorias vindas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Na quinta-feira (8), o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que Paris manteria o voto contrário, alegando benefícios “limitados” ao crescimento francês e europeu, além do risco a segmentos agrícolas sensíveis. O vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Harris, também considerou insuficientes as compensações oferecidas pela Comissão Europeia.
Reversão italiana foi decisiva
A Itália, que havia bloqueado o avanço do acordo em dezembro de 2025, mudou de posição após negociar limites adicionais às importações em áreas consideradas estratégicas. Com cerca de 59 milhões de habitantes, o país foi essencial para atingir o critério populacional exigido nas votações do Conselho.
Negociação de 25 anos
Os diálogos entre União Europeia e Mercosul começaram oficialmente em junho de 1999, durante a 1ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América Latina, do Caribe e da UE, realizada no Rio de Janeiro. Desde então, rodadas sucessivas de negociação trataram de tarifas, padrões ambientais e acesso a mercados.
Se ratificado, o pacto criará uma zona de livre-comércio que abrange cerca de 780 milhões de consumidores, reduzindo ou eliminando tarifas em setores como industrial, automotivo, farmacêutico e agrícola.
Apesar do avanço desta sexta-feira, países contrários ainda podem tentar barrar o texto em etapas posteriores do processo legislativo europeu. Até lá, representantes de ambos os blocos mantêm diálogo para consolidar o compromisso comercial após mais de duas décadas de discussão.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
