O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou a parlamentares nesta segunda-feira (5) que o presidente Donald Trump pretende adquirir a Groenlândia por meio de negociação, afastando qualquer possibilidade de ação militar. A declaração foi feita em reunião reservada com integrantes das comissões de Forças Armadas e de Relações Exteriores da Câmara e do Senado norte-americanos.
Interesse renovado
Segundo relato de legisladores presentes, o encontro tinha como pauta principal a situação política na Venezuela. Entretanto, perguntas sobre o território autônomo do Reino da Dinamarca foram levantadas durante o briefing. Rubio limitou-se a afirmar que a estratégia do governo é “comprar, não invadir” a ilha situada no Ártico, sem detalhar valores ou possíveis etapas da tratativa.
O desejo de Washington de incorporar a Groenlândia não é recente. Trump externou a mesma ideia em seu primeiro mandato, e o tema voltou à mesa após a operação do último sábado (3) que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. De acordo com fontes oficiais ouvidas pela imprensa americana, o presidente solicitou a assessores um plano atualizado para avaliar a viabilidade da aquisição.
Reação de aliados europeus
Em Copenhague, a proposta norte-americana foi prontamente rejeitada. Em comunicado conjunto divulgado na terça-feira (6), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e líderes de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha e Polônia reforçaram que a soberania da Groenlândia “pertence ao seu povo” e que qualquer mudança de status deve respeitar o direito internacional. O texto acrescenta que a segurança no Ártico é responsabilidade coletiva dos integrantes da Otan e que fronteiras não podem ser alteradas sem consenso.
Parlamentares americanos pedem cautela
Nos Estados Unidos, o possível aumento de pressão sobre um país aliado também provocou reação. Em nota conjunta, os senadores Jeanne Shaheen (democrata, New Hampshire) e Thom Tillis (republicano, Carolina do Norte) defenderam que Washington deve respeitar seus compromissos internacionais. “Se Dinamarca e Groenlândia afirmam que o território não está à venda, cabe ao governo norte-americano reconhecer a soberania dinamarquesa”, declararam.
Alternativas em discussão
Embora Rubio tenha assegurado que a preferência é pela compra, fontes da Casa Branca indicam que outras opções estão sobre a mesa: acordos de cooperação, iniciativas diplomáticas ampliadas e, como última instância, o uso das Forças Armadas caso as conversas fracassem. A possibilidade de uma abordagem militar já gerou críticas de parceiros europeus e aumentou a tensão no bloco atlântico.
Importância estratégica
Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia ocupa posição privilegiada no Ártico e concentra recursos naturais que despertam interesse geopolítico, incluindo minerais raros e reservas de hidrocarbonetos ainda pouco exploradas. A Dinamarca administra a defesa e a política externa do território, enquanto o governo local tem autonomia em questões internas.
Autoridades dinamarquesas alertam que qualquer tentativa de transferência de soberania deve passar por consulta à população groenlandesa. Até o momento, Copenhagen mantém a posição de que a ilha não está disponível para venda.
A Casa Branca não divulgou prazo para apresentar um plano ao Congresso. Parlamentares esperam novos esclarecimentos nas próximas semanas, mas já sinalizam resistência a qualquer iniciativa que afete alianças tradicionais sem diálogo prévio.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política