O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (9) apontou nova redução na estimativa de inflação oficial para 2026. Pela quinta semana seguida, analistas consultados pela autoridade monetária cortaram a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 3,99% para 3,97%.
Inflação permanece abaixo de 4%
Com a revisão, o mercado reforça a expectativa de que o índice permanecerá inferior a 4% ao longo do ano. Para 2027, a estimativa segue em 3,80%, enquanto para 2028 e 2029 continua em 3,50%. O centro da meta de inflação fixado pelo Conselho Monetário Nacional é de 3,0%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Economistas atribuem o movimento à postura ainda restritiva da política monetária, que mantém juros elevados e câmbio relativamente controlado, fatores que ajudam a conter pressões de preços.
PIB, juros e câmbio sem alterações
As demais variáveis acompanhadas pelo relatório não sofreram mudanças em relação à semana anterior:
- Crescimento do PIB: projeção de alta de 1,80% em 2026, mesma taxa prevista para 2027.
- Taxa Selic: expectativa de 12,25% ao ano no encerramento de 2026. A taxa básica está hoje em 15% ao ano e o consenso do mercado indica primeiro corte em março de 2026, possivelmente de 0,5 ponto percentual, caso a inflação continue cedendo.
- Câmbio: dólar estimado em R$ 5,50 no fim de 2026, patamar estável nas últimas publicações.
Referência para decisões econômicas
Divulgado semanalmente, o Boletim Focus consolida projeções de mais de uma centena de instituições financeiras e consultorias. O documento é considerado um dos principais termômetros para investimentos e políticas públicas, servindo de guia para o Banco Central calibrar a condução da política monetária.
A combinação de inflação em queda e juros altos sugere que a autoridade monetária tem conseguido ancorar expectativas, mas agentes de mercado ressaltam que futuros cortes na Selic dependem da continuidade da desaceleração dos preços e da evolução do quadro fiscal.
Mesmo com a previsão de expansão moderada do Produto Interno Bruto nos próximos anos, economistas mantêm postura cautelosa diante do cenário externo e das discussões sobre contas públicas no âmbito doméstico.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
