Apesar da aparente tranquilidade, a estratégia da defesa acaba dando um enorme tiro no pé.
Em entrevista ao jornal Mato Grosso do Norte, o vice-prefeito Robson Quintino declarou, mais uma vez, que a juíza eleitoral Janaína Rebucci Dezanetti teria cometido “falhas” em seu julgamento, e que: “a decisão deveria ter sido “muito mais trabalhada”, para evitar uma decisão tão desproporcional”…
Na opinião do vice-prefeito, acredita que na segunda instância haverá ambiente para um esclarecimento muito “mais amplo” para discutir a sentença.
Na visão dele, também acredita que em casos como esses a Justiça Eleitoral será menos célere e, com isso, ganharão meses e até 4 anos antes da decisão do colegiado pelo TRE/MT, ao contrário do que disse a Dra. Janaína Rebucci em sua entrevista à imprensa local, falou sobre a rapidez com que a Justiça Eleitoral lida com sentenças como essa.
Contradições à parte, no fundo a defesa tenta ganhar tempo para o inevitável, caso contrário entrariam direto com o recurso junto ao TRE/MT, pois aí sim demonstrariam plena confiança na justiça e segurança em suas convicções.
Ao fazer tal manobra, a defesa proporciona mais chances para a juíza fundamentar sua decisão e rebater de pronto a alegação de que não houve discussão ou ampla defesa do contraditório.
Com isso, ao entregar sua fundamentação ao TRE/MT, a justiça local, que levou 4 meses e meio para chegar à sua decisão, reforçará seus argumentos com base nas provas robustas apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral, na pessoa do promotor eleitoral, Paulo José do Amaral Jarosiski, que também deverá sustentar todas as suas alegações investigativas, baseadas em provas irrefutáveis de que a lei eleitoral foi criminosamente desrespeitada, indiferentemente da proporcionalidade de votos ou não.
Para além disso, o vice-prefeito desconsidera o peso de três testemunhas de acusação de maior grandeza, sendo elas a juíza Milena Ramos de Lima, da 4ª Vara do município de Alta Floresta, a promotora de Justiça, Lais Liane Rezende, e a delegada regional da Polícia Civil, Ana Paula Reveles, vítimas também do constrangimento escandaloso causado pela fraude criminosa exercida pelos cassados e os demais envolvidos, entre eles, um assessor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Alan Rodrigues da Silva (Alan Benin – lotado no gabinete do deputado Faissal Calil – Cidadania), e o diretor de comunicação da prefeitura municipal de Alta Floresta, Danúbio Ferreira dos Santos.
Em recente decisão de colegiado, com 5 a 2 votos, a Justiça Eleitoral de São Paulo (TRE/SP) julgou um caso semelhante de uso indevido dos meios de comunicação (Instagram) da cidade de Barueri, onde foram cassados também o prefeito Beto Piteri (Republicanos) e sua vice Dra. Claudia (PSB), que também ficam inelegíveis por 8 anos, até 2032. E olha que lá não houve necessidade de depoimentos de autoridades judiciais para se confirmar a cassação em segunda instância.
