Ícone do site MatoGrossoAoVivo

Operador de desembargador afastado renuncia ao cargo de síndico após operação da PF

Operador de desembargador afastado renuncia ao cargo de síndico após operação da PF

Investigado na Operação Gemini deixa gestão de condomínio de luxo

O empresário Luciano Cândido Amaral, apontado pela Polícia Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como o principal operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos, renunciou ao cargo de síndico do condomínio de luxo Florais do Valle, em Cuiabá. A decisão foi formalizada na manhã do dia 9 de abril, apenas 24 horas após a execução de novos mandados de busca e apreensão contra investigados por suposta venda de sentenças e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

corrupção: cenário e impactos

No documento de renúncia, o empresário alegou que questões de ordem pessoal o impediriam de exercer suas funções com a dedicação necessária. Com a saída imediata de Luciano Cândido Amaral, a subsíndica Nicole Locker assumiu a administração do residencial.

Conexões reveladas por investigações

As suspeitas contra o empresário ganharam força após a análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023. Nos contatos do aparelho, o nome de Luciano aparecia sob o codinome “Irmão Gêmeo – DD”, referência à sua proximidade com o magistrado Dirceu dos Santos. Registros de conversas indicam que o empresário possuía acesso privilegiado ao gabinete do desembargador, chegando a articular a tramitação de processos e pedidos de efeitos suspensivos em questão de segundos após solicitações de Zampieri.

Movimentações financeiras e lavagem de dinheiro

Relatórios de inteligência financeira apontam que, entre 2020 e 2023, o advogado Roberto Zampieri transferiu cerca de R$ 600 mil para contas ligadas ao empresário. Além disso, a Polícia Federal identificou transações diretas entre Luciano e o desembargador que superam a marca de R$ 600 mil. Entre os repasses, destaca-se uma transferência de R$ 140 mil feita pela empresa Veritas Construtora e Incorporadora, de propriedade de Luciano, para a conta de Carla Patrícia Monteiro dos Santos, esposa do magistrado.

O esquema, segundo a Operação Gemini, utilizava métodos complexos de ocultação de bens, incluindo a utilização de “laranjas” e empresas de fachada. Um exemplo citado pelos investigadores envolve a M.S. Comércio de Pizzas e Massas Pré-Assadas, que, embora registrada em nome de uma suposta amante do desembargador, era gerida pessoalmente por Dirceu dos Santos, que utilizava cartões próprios para quitar despesas do negócio.

Desdobramentos da operação

O desembargador Dirceu dos Santos está afastado de suas funções desde o dia 2 de março, por determinação do CNJ, que também ordenou o bloqueio de bens do magistrado e das empresas de Luciano Amaral. Durante a operação, as autoridades apreenderam itens de alto valor, como um relógio Rolex avaliado em R$ 208 mil, armas e canetas de luxo. O inquérito, que também investiga o deputado estadual Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro, foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a possível apresentação de denúncia criminal.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT

Sair da versão mobile