Investigação revela elo entre empresário e magistrado
A Polícia Federal (PF) identificou o empresário Luciano Cândido Amaral como o suposto operador financeiro do desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A revelação faz parte dos desdobramentos da Operação Gemini, deflagrada na última segunda-feira (8), que apura um esquema de venda de sentenças no Poder Judiciário estadual.
Movimentações financeiras e indícios de lavagem
Relatórios de inteligência financeira apontam que Luciano Cândido Amaral mantinha vínculos societários diretos e indiretos com o magistrado. As autoridades detectaram o pagamento de 11 boletos bancários, totalizando aproximadamente R$ 258 mil, além de transferências que superam a marca de R$ 600 mil entre os investigados.
Além das transações diretas, os investigadores apontam a existência de operações imobiliárias simuladas. Segundo a PF, um terceiro indivíduo, agindo como “laranja”, teria recebido R$ 100 mil de Dirceu dos Santos, repassando o mesmo valor a Luciano Cândido Amaral no mesmo dia. A manobra é interpretada pelos agentes como uma tentativa de ocultar a origem e a destinação de bens e valores.
Conexões com o caso Zampieri
O empresário também é apontado como um interlocutor próximo do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá. Mensagens extraídas do celular de Zampieri demonstram que Luciano Cândido Amaral atuava em processos de interesse do grupo, inclusive solicitando agilidade em decisões judiciais. Em um dos diálogos, o advogado pede para “organizar um efeito suspensivo”, que foi deferido pelo desembargador no dia seguinte. Na agenda do advogado, o contato do empresário estava salvo como “Irmão Gêmeo – DD”, uma alusão direta ao magistrado.
Desdobramentos da Operação Gemini
Além dos principais investigados, a operação cumpriu mandados contra o deputado estadual Faissal Calil (PL), o advogado Bruno Oliveira Castro e outras seis pessoas. Todos foram alvos de busca e apreensão, com quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. O desembargador Dirceu dos Santos já se encontrava afastado de suas funções no TJMT desde o dia 2 de março deste ano devido às suspeitas iniciais que motivaram a investigação. Para mais detalhes sobre o caso, acesse o portal RepórterMT.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
