A quebra de sigilo do telefone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a movimentar Brasília. A Polícia Federal conseguiu decifrar a criptografia do aparelho e já acessa o material, que deve ser encaminhado nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
O tema foi debatido na edição desta segunda-feira (10) do programa Última Análise, transmitido pelo jornal Gazeta do Povo. Participantes destacaram que o conteúdo extraído do celular pode envolver autoridades de alto escalão e provocar novos desdobramentos no Judiciário e na política.
Preocupação no Supremo
Ex-coordenador da Lava Jato, o ex-procurador Deltan Dallagnol avaliou que as informações encontradas têm potencial para “respingar” nos ministros do STF. “É muita informação que você pode tirar deste celular e isso tem deixado o pessoal de Brasília sem conseguir dormir”, ironizou.
No centro da discussão está o ministro Dias Toffoli. Segundo o programa, o magistrado tenta manter controle total sobre o inquérito, inclusive sobre a remessa de depoimentos e documentos. A oposição, por sua vez, pressiona por maior transparência.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou pedido para quebrar o sigilo da empresa pertencente aos irmãos de Toffoli. A firma é suspeita de funcionar como fachada para lavagem de dinheiro e para o recebimento de consultorias ligadas ao Banco Master.
Já o vereador Guilherme Kilter questionou a atuação de Toffoli. “Ele está fazendo todo o esforço possível para manter o caso em sigilo, até interferindo nos depoimentos de testemunhas. Precisamos entender qual é o interesse dele nisso”, afirmou durante o debate.
Repercussão no Palácio do Planalto
As mensagens de Vorcaro também repercutiram no Palácio do Planalto. No sábado (7), durante o evento que celebrou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, o presidente Lula demonstrou preocupação com o teor dos diálogos atribuídos ao banqueiro.
No discurso, Lula lembrou que a legenda precisa manter alianças regionais para a disputa presidencial e classificou a eleição de 2026 como “uma guerra”, pedindo preparo para “ganhar em alto nível”.
A advogada Fabiana Barroso, também convidada do programa, observou que o chefe do Executivo aparentava irritação. “É um presidente sem povo nas ruas. Ele percebeu a baixa presença de público, mesmo em Salvador, onde haveria condições de atrair mais simpatizantes”, comentou.
Próximos passos
Com a análise dos dados do celular ainda em andamento, a expectativa é de que o material seja formalmente anexado aos autos no STF. Parlamentares da oposição já articulam novos requerimentos na tentativa de ampliar o acesso às informações, enquanto aliados do governo monitoram possíveis impactos políticos.
A remessa do conteúdo à PGR também pode levar a abertura de frentes investigativas paralelas, dependendo da possível citação de autoridades com foro privilegiado. Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Supremo divulgaram prazos para a conclusão da perícia ou para a divulgação de trechos do material.
A tensão em torno do caso coloca em lados opostos membros do Judiciário, parlamentares e lideranças partidárias, em um cenário que deve ganhar novos capítulos à medida que o conteúdo completo venha à tona.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
