Embora as convenções partidárias só aconteçam em agosto de 2026, pelo menos seis políticos confirmaram que disputarão o Palácio do Planalto. A largada antecipada atende à necessidade de construir alianças, garantir palanques regionais e medir o desempenho nas primeiras sondagens, fatores que podem definir quem ficará ou sairá da corrida presidencial.
Esta será a primeira eleição após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário é marcado por baixa aprovação do governo federal, desaceleração econômica, crescimento da dívida pública — projetada para ultrapassar 83% do PIB ainda neste ano — e aumento das tensões entre os Poderes, sobretudo em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Três ministros da Corte integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que deve colocar decisões judiciais no centro dos debates.
Quem já anunciou pré-candidatura
Lula (PT) – O presidente afirmou em 2022 que seria candidato de um único mandato, mas mudou de posição após a vitória. Aos 80 anos em 2026, terá de enfrentar a combinação de baixo índice de aprovação, inflação persistente e sucessivos reajustes de impostos.
Flávio Bolsonaro (PL) – O senador foi declarado pré-candidato pelo pai em dezembro último, surpreendendo aliados que apostavam no governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele busca unir a direita em torno do sobrenome Bolsonaro e negocia apoio de siglas do Centrão.
Romeu Zema (Novo) – Governador de Minas Gerais, anunciou em agosto sua disposição de concorrer. Quer usar a vitrine de gestão liberal no estado para defender um “Estado enxuto” em âmbito nacional. Recentemente descartou ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Ronaldo Caiado (PSD) – À frente do governo de Goiás, oficializou a pré-candidatura em abril de 2025, ainda no União Brasil, e ingressou no PSD neste ano. Pretende explorar índices de segurança pública, força do agronegócio goiano e retórica antipetista para atrair centro-direita.
Renan Santos (Missão) – Cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), representa o novo partido Missão. Critica petismo e bolsonarismo, defende descentralização econômica, combate à corrupção e medidas duras contra o crime organizado.
Aldo Rebelo (DC) – Ex-ministro nos governos do PT, distanciou-se da esquerda e lançou pré-candidatura em dezembro passado. Cogita ter como vice o ex-ministro Fabio Wajngarten e afirma que multiplicar candidaturas à direita ajuda a levar o PT a um segundo turno desfavorável.
Possíveis novos nomes
No PSD, os governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são cotados. Caso um deles seja escolhido, Caiado pode perder espaço na cabeça de chapa. Já Tarcísio de Freitas, apontado como favorito de parte do eleitorado conservador, tende a buscar a reeleição em São Paulo.
Temas centrais da disputa
Especialistas projetam que economia e segurança pública dominarão a campanha. O consultor político Paulo Kramer observa que apenas cerca de 10% do eleitorado se mobiliza por pautas institucionais, como eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF; a maioria se concentra em emprego, renda e preços.
O próximo presidente poderá indicar três ministros ao STF, fator que reforça a relevância do Judiciário no debate. Além disso, partidos de direita articulam propostas de impeachment contra integrantes da Corte, tema que deverá ganhar peso na eleição para o Senado.
Até agosto de 2026, quando as convenções homologam oficialmente as candidaturas, o quadro pode mudar. Pesquisas de opinião, acordos partidários e o desempenho de cada pré-candidato deverão definir quem permanece na disputa mais antecipada — e potencialmente mais acirrada — desde a redemocratização.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
