A Comissão de Saúde, Assistência Social e Previdência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, na última terça-feira (9), uma série de visitas técnicas aos hospitais regionais de Sinop e Sorriso. O objetivo principal foi inspecionar as condições de atendimento, a infraestrutura das unidades e identificar os principais entraves que afetam a população da região Norte do estado. A comitiva parlamentar, composta pelos deputados estaduais Dr. João (MDB), primeiro-secretário da ALMT, Sebastião Rezende (União) e Lúdio Cabral (PT), membros da comissão permanente, também participou de reuniões estratégicas nas Câmaras Municipais.
Desafios em Sinop: leitos parados e transição de gestão
A agenda na região Norte começou pela manhã, com um encontro na Câmara Municipal de Sinop. Vereadores locais apresentaram um cenário de dificuldades enfrentadas pela população para acessar vagas hospitalares e cobraram maior transparência na administração da saúde regional. Os deputados ouviram atentamente as demandas, reforçando que a iniciativa da comissão visa coletar informações diretamente dos municípios para embasar futuras ações junto ao Governo do Estado.
O deputado Dr. João ressaltou que essas visitas são parte de uma estratégia da Comissão de Saúde para conhecer de perto os principais polos de saúde de Mato Grosso. “É uma política da Comissão de Saúde da Assembleia conhecer e visitar todos os principais polos de saúde do estado. A gente precisa ver in loco o que está acontecendo para depois levar essas informações para Cuiabá e construir soluções para melhorar a assistência à população”, explicou o parlamentar.
O presidente da Câmara de Sinop, vereador Moisés do Jardim do Ouro (PL), destacou a complexidade da situação. “Somos a terceira maior economia de Mato Grosso, mas enfrentamos uma realidade muito difícil na saúde pública. A expectativa é que a Comissão de Saúde ajude a construir soluções e faça a interlocução necessária para que o Hospital Regional amplie sua capacidade de atendimento e atenda melhor toda a região”, afirmou.
Durante a inspeção ao Hospital Regional de Sinop, um dos pontos de maior preocupação foi a constatação de leitos desativados, mesmo diante da alta demanda por internações. Segundo informações levantadas, a inoperância de parte desses leitos se deve a fatores como a carência de profissionais, a necessidade de adequações estruturais e a reorganização dos serviços. Atualmente, a unidade opera com capacidade reduzida, enquanto pacientes aguardam por vagas em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e prontos-socorros dos municípios vizinhos.
A visita ocorreu em um período de transição administrativa para o hospital. Recentemente, o Governo do Estado oficializou a transferência da gestão para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires. A secretária-executiva do consórcio, Solimara Moura, informou que a nova equipe está realizando um diagnóstico abrangente para compreender os desafios e planejar a expansão dos serviços. “Temos déficit de servidores e alguns leitos foram fechados em razão dessa falta de pessoal. Estamos reorganizando fluxos e buscando melhorias já nesse primeiro momento de transição”, detalhou Solimara. A expectativa é ampliar gradualmente a capacidade da unidade, que hoje conta com cerca de 80 leitos em funcionamento, após a conclusão de reformas, contratações e processos administrativos.
Acompanhamento e próximos passos da fiscalização parlamentar
Os deputados asseguraram que o trabalho da Comissão de Saúde não se encerra com as visitas técnicas. O grupo pretende monitorar de forma contínua a implementação do novo modelo de gestão, verificando se as metas estabelecidas serão cumpridas e se haverá uma efetiva ampliação da assistência à população.
O deputado Sebastião Rezende afirmou que a comissão manterá contato direto com o consórcio e planeja retomar a discussão sobre a situação da unidade nos próximos meses. “A palavra da secretária do consórcio é que, a partir de agora, eles estão tomando pé da situação e, em cerca de 60 dias, poderão apresentar um diagnóstico mais preciso. A comissão vai acompanhar esse processo e deliberar sobre novas visitas e ações de fiscalização”, pontuou Rezende.
Já o deputado Lúdio Cabral adiantou que os dados coletados serão compilados em um relatório técnico. Este documento servirá como base para futuras reuniões com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), representantes municipais e o governador do Estado. “Nós vamos sistematizar as informações, produzir um relatório e discutir os encaminhamentos. Também queremos uma agenda com o governador para tratar da regionalização da saúde e da situação dos hospitais regionais do Norte do estado”, declarou Cabral. Ele acrescentou que a comissão planeja convocar representantes do consórcio à Assembleia Legislativa após a conclusão do inventário da unidade, para debater a viabilidade das metas contratuais e acompanhar a evolução dos serviços.
Situação crítica em Sorriso: ala interditada e rede regional
No período da tarde, os parlamentares seguiram para o Hospital Regional de Sorriso. Um dos principais pontos de discussão foi a condição da ala construída durante a pandemia de Covid-19. Embora o espaço tenha sido utilizado para atendimento de pacientes, problemas estruturais levaram à sua interdição, o que tem atrasado a ampliação da oferta de leitos e a transferência definitiva de serviços para o local.
Após inspecionar a ala interditada, o deputado Lúdio Cabral classificou a situação como preocupante, especialmente considerando que a estrutura é recente. “Essa estrutura foi construída para ampliar o atendimento e acabou se tornando um novo problema. O pronto atendimento continua funcionando em uma área antiga e menor, enquanto a população segue enfrentando dificuldades para conseguir vagas hospitalares”, avaliou Cabral.
O parlamentar também defendeu uma discussão mais aprofundada sobre a organização da rede hospitalar no Norte de Mato Grosso e a necessidade de fortalecer os hospitais regionais já existentes. O objetivo é evitar que pacientes precisem percorrer longas distâncias em busca de atendimento especializado, uma realidade que, segundo ele, já foi observada em visitas anteriores a Alta Floresta e Colíder, onde serviços foram desativados.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT
