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Mercado de milho segue lento no Sul, mas B3 registra altas

O início de 2026 tem sido marcado por baixa liquidez no mercado brasileiro de milho, sobretudo nos estados do Sul e em Mato Grosso do Sul. Enquanto compradores mantêm postura cautelosa diante do avanço da colheita e da oferta crescente, os contratos futuros negociados na B3 apresentaram elevação, sustentados por ajustes técnicos e por novos dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Rio Grande do Sul amplia colheita, mas negociações permanecem esparsas

No Rio Grande do Sul, 39% da área plantada já foi colhida, de acordo com a Conab, e 99% da semeadura está concluída. Mesmo com maior disponibilidade do grão, os negócios seguem pontuais entre cooperativas e pequenas indústrias. As cotações variam entre R$ 57,00 e R$ 79,00 a saca, a depender da região e dos custos logísticos. A Emater apurou leve incremento de 1,17% no preço médio estadual, que passou de R$ 60,00 para R$ 60,70, movimento insuficiente para destravar o mercado.

Santa Catarina e Paraná registram impasse entre pedidas e ofertas

Em Santa Catarina, produtores pedem valores próximos de R$ 75,00 por saca, enquanto as indústrias ofertam cerca de R$ 65,00. No Planalto Norte, poucas transações ocorrem entre R$ 70,00 e R$ 75,00. A Epagri aponta colheita de 12% da safra 2025/26 e redução superior a 40% na população de cigarrinhas, embora o alerta sanitário permaneça.

No Paraná, a colheita atinge 10% da área e a segunda safra já tem 12% semeada. As pedidas giram em torno de R$ 70,00, contra ofertas CIF de R$ 65,00. Em Cascavel, o preço médio está em R$ 56,70; em Ponta Grossa, R$ 65,20. O cenário de impasse mantém o ritmo de negócios limitado.

Mato Grosso do Sul sofre pressão de oferta elevada

Em Mato Grosso do Sul, o excedente de produto mantém as cotações entre R$ 53,00 e R$ 54,00 a saca. Nem mesmo a demanda do segmento de bioenergia tem sido suficiente para sustentar preços, reforçando a tendência baixista observada desde o fim de 2025.

Contratos futuros sobem na B3 e acompanham Chicago

Contrariando a lentidão do mercado físico, os contratos futuros de milho encerraram a terça-feira em alta na B3. O ajuste foi atribuído a fatores técnicos e à leitura do relatório do USDA, que indicou aumento nas exportações e menor volume dos estoques finais norte-americanos.

O vencimento março/26 subiu R$ 1,05, encerrando a R$ 69,90, ainda que acumule queda semanal de R$ 0,30. Maio/26 fechou em R$ 70,00, avanço diário de R$ 0,95. Julho/26 terminou a sessão em R$ 68,17, alta de R$ 0,14.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato março permaneceu estável em 428,75 cents/bushel, enquanto maio avançou 0,06%, para 437,25 cents/bushel.

Demanda interna limita ganhos mais fortes

Apesar das correções positivas na B3, analistas da TF Agroeconômica ressaltam que a demanda interna, principalmente para produção de etanol, segue abaixo do ideal. O segmento responde por 32,9% do consumo da safra, quando o patamar considerado saudável é de 35%. Esse quadro de procura contida e oferta elevada mantém o mercado físico travado e impede valorizações mais robustas.

Com a colheita da primeira safra alcançando 11% e o plantio da “safrinha” em 21%, produtores e indústrias monitoram o avanço das lavouras e esperam sinais de retomada da liquidez nas próximas semanas.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio

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