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Jovens lideram oposição ao aborto no Brasil, diz estudo

Levantamento realizado pelo PoderData revela que 68% dos brasileiros são contrários à liberação do aborto no país. O índice, registrado entre 25 e 27 de fevereiro, é o mais alto desde o início da série histórica, em 2021. Do total de entrevistados, 22% declararam ser favoráveis e 10% não souberam opinar.

A rejeição ao aborto é especialmente expressiva entre pessoas de 25 a 44 anos, grupo que reúne millennials e integrantes mais velhos da geração Z: 70% deles se dizem contra. Já o apoio é maior entre quem tem mais de 60 anos, faixa na qual 25% se posicionam a favor da prática.

Panorama internacional

Tendência parecida aparece no estudo Global Views on Abortion, da Ipsos, divulgado em 2023. Em média, 62% dos baby boomers ao redor do mundo apoiam o direito ao aborto, enquanto 55% dos integrantes da geração Z e 53% dos millennials declaram oposição.

Vinculação ideológica

Outra pesquisa, conduzida em dezembro pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, indica que 52% dos brasileiros da geração Z se identificam como de direita ou centro-direita. Entre os millennials, o percentual é de 51%. Por outro lado, 57% dos baby boomers afirmam ter posicionamento de esquerda ou centro-esquerda.

Para a professora Lenise Garcia, do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília e presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, as mudanças comportamentais dos anos 1960 influenciaram a visão dos boomers sobre liberdade sexual. Segundo ela, as gerações seguintes dispõem de mais tempo para refletir sobre o tema, o que pode explicar índices maiores de rejeição ao aborto entre jovens.

Conservadorismo em ascensão

O relatório Ipsos Global Trends, publicado em janeiro, reforça o avanço de valores conservadores entre os mais novos. No Brasil, 57% dos homens da geração Z afirmam desejar que o país “volte a ser como era antes”, proporção superior à registrada entre millennials e boomers. O documento aponta que desafios do presente e incertezas sobre o futuro impulsionam parte da juventude a buscar alternativas fora do sistema vigente, aproximando-a de mensagens conservadoras.

Para o defensor público federal Danilo de Almeida Martins, diretor da Associação de Juristas Católicos de Brasília, a maior oferta de informação permite que os jovens questionem argumentos de grupos que defendem a legalização do procedimento. Ele considera que interesses financeiros de clínicas são “dissimulação” e destaca a inexistência de casos de mulheres presas por autoaborto no país.

Influências históricas

A chegada da pílula anticoncepcional, pouco antes da maioridade dos primeiros baby boomers, redefiniu a forma como essa geração lidava com relacionamento e fertilidade. A escritora Jill Filipovic, no livro Ok Boomer, Let’s Talk: How My Generation Got Left Behind, nota que boomers tendem a se casar mais tarde, ter menos filhos e registrar índices mais altos de divórcio que as coortes posteriores.

Nos Estados Unidos, o ativismo feminista e contracultural dos anos 1960 culminou na decisão Roe v. Wade, de 1973, que legalizou o aborto em todo o país. Dados do Instituto Guttmacher mostram que, entre 1973 e 2017, 60 milhões de abortos foram realizados em território norte-americano. Estimativas publicadas com base nesses números sugerem que 28% da geração Z – cerca de 19,7 milhões de pessoas nascidas entre 1997 e 2011 – não chegou a nascer. Entre os millennials, calcula-se que 24,5 milhões de gestações foram interrompidas entre 1981 e 1996.

Com essas referências internacionais e um quadro interno de rejeição crescente, a pesquisa do PoderData reforça a percepção de que, no Brasil, a oposição ao aborto encontra eco especialmente entre os mais jovens.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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