Um policial penal foi detido em flagrante em Cuiabá após um trágico incidente que resultou na morte de seu enteado. Jeremias Émerson, acusado de matar Atlas Iury da Silva Santos, de 21 anos, com um disparo no rosto na manhã de uma quarta-feira (10), apresentou sua versão dos fatos às autoridades, alegando ter agido em legítima defesa. Segundo o depoimento do policial, o jovem teria avançado contra ele armado com uma faca, forçando-o a reagir.
O episódio ocorreu na residência da família. Jeremias relatou que se dirigiu ao local para buscar sua companheira para o trabalho quando se deparou com o enteado em estado de exaltação. Antes mesmo de chegar, vizinhos já o haviam alertado sobre o comportamento de Atlas durante a madrugada, que incluía a destruição de uma motocicleta, ameaças a familiares e o ato de afiar uma faca, indicando um clima de tensão pré-existente.
A dinâmica do confronto e a versão do policial penal
Ao chegar à residência, o policial penal observou Atlas próximo ao irmão mais novo, que aguardava o transporte escolar. Jeremias descreveu o início da interação: “Eu parei a moto e falei: ‘Iury, você vai pegar a van? O que aconteceu aí com sua mãe?’. Ele falou: ‘Não, vou pegar a van não, vou pegar é você’ e partiu pra cima de mim com a faca”. Essa declaração detalha o momento em que, segundo Jeremias, a situação escalou para o confronto físico.
Diante da suposta ameaça e do avanço de Atlas com a faca, Jeremias afirmou ter efetuado um primeiro disparo, com o objetivo de impedir a aproximação do enteado, mas o tiro não o atingiu. Em seguida, os dois teriam entrado em uma luta corporal intensa. O policial penal sustentou que o disparo fatal ocorreu durante essa disputa física. Conforme sua versão, a intenção era atingir a região da barriga de Atlas, mas, devido à movimentação de ambos, o tiro acabou atingindo o rosto do jovem, na região do crânio.
Jeremias detalhou a luta: “Ele me agarrou, me jogou ao solo e no que ele me jogou ao solo eu grudei no pescoço dele. E aí nós entramos em luta corporal e ele segurou no cano da arma. Quando ele segurou no cano da arma nós ficamos em luta corporal e eu efetuei o próximo disparo na região da barriga dele, como teve o movimento pegou na face dele, na região da do crânio dele”. Após o disparo, Atlas Iury faleceu no próprio local. O policial penal informou ter acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar logo após o ocorrido.
Investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa
A versão apresentada por Jeremias Émerson está sob análise minuciosa da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado Nilson Farias, responsável pelo caso, indicou que os primeiros elementos observados na cena do crime não corroboram integralmente o depoimento do policial. Segundo Farias, não foram encontrados, em um primeiro momento, sinais evidentes de luta corporal no local, o que levanta questionamentos sobre a dinâmica descrita.
Outro ponto que integra a investigação é a localização da faca que Atlas Iury supostamente teria utilizado. O objeto foi encontrado distante do corpo da vítima, uma circunstância que também é considerada relevante para o esclarecimento dos fatos. Jeremias foi preso em flagrante e sua versão foi formalmente registrada em depoimento. A Polícia Civil prossegue com as diligências, ouvindo testemunhas e aguardando os resultados das perícias técnicas, que serão cruciais para determinar a real dinâmica do caso e embasar as próximas etapas da investigação.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
