O estado de Mato Grosso iniciou, na última segunda-feira (8), o período de vazio sanitário da soja. A medida, que se estende por 90 dias, proíbe qualquer tipo de manejo da cultura no campo, com o objetivo principal de interromper o ciclo de reprodução do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática. O plantio da oleaginosa só voltará a ser permitido a partir do dia 7 de setembro.
soja: cenário e impactos
A importância do controle biológico no campo
A ferrugem asiática é considerada uma das ameaças mais severas para a sojicultura. O fungo se instala nas folhas, provocando a destruição precoce da folhagem e comprometendo a capacidade de fotossíntese da planta. Esse processo resulta em falhas no enchimento dos grãos, o que impacta diretamente a produtividade final da lavoura e a rentabilidade do produtor rural.
Segundo a pesquisadora Daniela Facco, do Centro Tecnológico Parecis (CTECNO Parecis), a evolução da doença é extremamente rápida caso não haja um controle rigoroso. A interrupção do ciclo da praga durante o vazio sanitário é, portanto, a estratégia mais eficaz para proteger a safra futura e evitar prejuízos econômicos severos ao setor agrícola.
Medidas de segurança e fiscalização rigorosa
Além da proibição do cultivo, o período impõe regras estritas para o transporte de grãos e sementes. Os veículos devem circular devidamente fechados e lacrados para evitar o derramamento de carga nas rodovias, o que poderia gerar plantas voluntárias e manter o fungo vivo no ambiente. O Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT) é o órgão responsável por realizar barreiras sanitárias e fiscalizações nas estradas.
O vice-coordenador da Comissão de Defesa Agrícola, Gilson Antunes de Melo, reforça que a colaboração dos produtores é essencial. “É importante que o produtor não deixe plantas voluntárias vivas para não manter esse ciclo”, alertou. A fiscalização verifica a documentação, as notas fiscais e a integridade das cargas para garantir que nenhuma irregularidade comprometa a sanidade das lavouras mato-grossenses.
A Aprosoja MT, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), orienta que os agricultores sigam rigorosamente o calendário estabelecido. A prática do vazio sanitário, consolidada há quase duas décadas, permanece como um pilar fundamental para a competitividade e a segurança da produção de soja em Mato Grosso.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
