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Tiktoker exibe corte ilegal de madeira em terra indígena

CUIABÁ — Um influenciador de Mato Grosso vem usando o TikTok para mostrar, em tempo real, a derrubada de árvores centenárias dentro da Terra Indígena Sararé, sudoeste do estado. Nos vídeos, ele posa ao lado de toras gigantes, descreve técnicas de derrubada e divulga a localização exata da extração, área já pressionada por desmatamento e garimpo ilegal.

Embora tenha sido autuado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em fiscalizações anteriores, o tiktoker disse à reportagem do portal eh fonte que o conteúdo é “apenas brincadeira”. As imagens, no entanto, mostram a retirada sistemática de madeira nobre, além do resgate de tratores incendiados em operações de repressão a crimes ambientais.

Nos vídeos publicados desde outubro, o influenciador se apresenta como “especialista em corte de madeira” e convida seguidores a “aprender o ofício”. Em uma das postagens mais acessadas, ele afirma que “cada tora vale um carro zero”, enquanto detalha medidas e espécies. A conta já ultrapassa 200 mil seguidores, e alguns clipes somam mais de um milhão de visualizações.

Fiscalizações do Ibama apontam que a Terra Indígena Sararé registra avanço de invasões para extração de madeira e garimpo. Em abril, uma operação conjunta do órgão federal com a Polícia Federal inutilizou acampamentos, destruiu sete serrarias móveis e apreendeu 240 m³ de madeira serrada. Segundo técnicos, o ambiente mostra sinais de degradação acelerada nos últimos dois anos.

Especialistas ouvidos pelo eh fonte 3 Biomas alertam que o caso evidencia a transformação de crimes ambientais em espetáculo digital. “A busca por engajamento gera lucro e incentiva a reincidência”, afirma um analista ambiental que pediu anonimato. Ele ressalta que a exposição pública dificulta a defesa do infrator: “Quando ele sinaliza o ponto exato da retirada, entrega provas contra si mesmo”.

Questionado sobre novas medidas, o Ibama informou, por nota, que monitora perfis suspeitos nas redes sociais e compartilha indícios com a Polícia Federal para abertura de inquéritos. O órgão não detalhou quantas autuações já foram aplicadas ao tiktoker, mas confirmou a existência de sanções por exploração em área de proteção. Em caso de reincidência, as multas podem chegar a R$ 50 mil por hectare derrubado.

Enquanto órgãos de controle tentam frear a ofensiva, lideranças indígenas denunciam ameaças e pressionam por reforço permanente na região. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) classifica a situação como “estado de sítio informal” e cobra presença contínua da Força Nacional.

O influenciador, por sua vez, continua ativo. Nos últimos dias, ele publicou vídeos respondendo a críticas, dizendo que “não está fazendo nada de errado” e que “todo mundo precisa trabalhar”. A conta permanece no ar e, até a tarde desta terça-feira (2), os vídeos não haviam sido removidos pela plataforma.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de eh fonte

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