Brasília – O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência em 2026, Romeu Zema (Novo), defendeu duas alternativas para isolar integrantes das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV): enviá-los ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), em El Salvador, ou erguer um complexo penitenciário de padrão semelhante em área remota da Floresta Amazônica.
Em entrevista à coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, o governador afirmou que a transferência poderia ser viabilizada “por meio de um convênio internacional” com o governo salvadorenho. “Nós poderíamos mandar esses faccionados para o Cecot. Já pensou que beleza: nem no Brasil esses criminosos ficarem, serem transferidos para um presídio de segurança máxima num país que está bem distante, em que nem sinal de celular eles teriam?”, declarou.
Plano B na floresta
Zema explicou que, caso o envio a El Salvador não se concretize, sua proposta é construir uma estrutura equivalente em território brasileiro. O local escolhido seria “no meio da Floresta Amazônica”, totalmente isolado, com acesso exclusivo por via aérea e vigilância reforçada.
“Seria uma Alcatraz da selva”, comparou, lembrando a histórica prisão norte-americana localizada na Baía de São Francisco, desativada em 1963. De acordo com o governador, o complexo contaria apenas com uma pista de pouso. Aeronaves não autorizadas seriam impedidas de aterrissar, e eventuais tentativas de fuga enfrentariam as condições hostis da mata.
Visita a El Salvador
O interesse de Zema pelo modelo salvadorenho surgiu após visita ao país centro-americano em maio deste ano. Na ocasião, o governador conheceu de perto as ações de segurança pública implementadas pelo presidente Nayib Bukele, que incluem o Cecot — penitenciária projetada para abrigar até 40 mil detentos ligados a organizações criminosas.
Zema argumenta que a adoção de estratégia semelhante no Brasil dificultaria a comunicação entre líderes de facções e suas bases externas, reduzindo a coordenação de crimes a partir de dentro dos presídios. “O objetivo é cortar qualquer forma de contato”, pontuou.
Repercussão política
A proposta integra o discurso de endurecimento contra o crime organizado que o chefe do Executivo mineiro deve levar à campanha presidencial de 2026. Até o momento, não há confirmação de tratativas oficiais com o governo federal nem com autoridades de El Salvador para viabilizar o plano.
Organizações de direitos humanos, especialistas em segurança pública e representantes do sistema penitenciário ainda não se manifestaram sobre a sugestão. O tema deve voltar ao debate nacional conforme avançarem as discussões sobre políticas carcerárias e combate às facções.
No Brasil, o sistema penitenciário federal já conta com cinco presídios de segurança máxima, localizados em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Brasília (DF). Nenhum, porém, possui nível de isolamento geográfico comparável ao modelo imaginado por Zema para a Amazônia.
Por enquanto, a ideia permanece como proposta do governador mineiro, dependente de aval do governo federal, recursos orçamentários e eventual acordo internacional caso se opte pela transferência de detentos ao exterior.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
