A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Dias Toffoli seja declarado suspeito para conduzir o processo de liquidação do Banco Master. O pedido, encaminhado na segunda-feira (9) pelo diretor-geral da corporação, Andrei Passos, baseia-se em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Segundo investigadores ouvidos pela PF, o conteúdo do aparelho indica uma suposta proximidade entre Vorcaro e o magistrado, incluindo referências a pagamentos. Após conseguir romper a criptografia do dispositivo, a corporação abriu três novas frentes de apuração e aguarda posicionamento do STF para avançar.
Encontro no Supremo
O ofício com o pedido de diligências adicionais foi entregue por Passos ao presidente em exercício da Corte, ministro Edson Fachin. A reunião constava na agenda oficial do diretor-geral no início da semana.
Em nota pública, o gabinete de Toffoli classificou as acusações como “ilações” e argumentou que a Polícia Federal não possui legitimidade para pleitear a suspeição, por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil. O ministro informou que responderá formalmente a Fachin.
Histórico do processo
Relator do caso desde que surgiram indícios de envolvidos com foro privilegiado, Toffoli determinou, em janeiro, que todos os bens apreendidos na Operação Compliance Zero fossem mantidos lacrados no STF, entre eles o celular de Vorcaro. Além disso, impôs sigilo total sobre a investigação e condicionou qualquer diligência a sua prévia autorização.
A postura vem sendo questionada por investigadores. Sob pressão, no início de maio o ministro mencionou a possibilidade de desmembrar parte do inquérito e remeter a parcela sem autoridades com foro para a primeira instância.
Viagem e patrocínio
A desconfiança em torno do magistrado aumentou após vir a público que ele viajou ao Peru em jato particular ao lado do advogado de um diretor do banco investigado. Em maio de 2024, Toffoli também participou, em Londres, do 1º Fórum Jurídico Brasil Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master. Os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes estiveram no mesmo encontro.
Possíveis novos alvos
Fontes ligadas à investigação afirmam que outras autoridades com foro especial podem ser citadas nas conversas armazenadas no aparelho de Vorcaro. Por isso, a PF aguarda uma definição jurídica para expandir a coleta de provas e eventual compartilhamento com outras instâncias.
Embora o conteúdo das mensagens não tenha sido divulgado, a corporação considera que há indícios suficientes para questionar a imparcialidade do ministro no caso. Até o momento, não há previsão de quando o STF analisará formalmente o pedido.
Nos últimos anos, Toffoli anulou atos da operação Lava Jato que atingiam figuras como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o empresário Marcelo Odebrecht e o doleiro Alberto Youssef, decisões que ampliaram a vigilância de investigadores sobre suas manifestações em processos de combate à corrupção.
O STF e a Polícia Federal foram procurados para comentar os novos desdobramentos. Até a conclusão desta reportagem, não haviam se manifestado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
