O conteúdo de uma reunião reservada realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir o futuro da relatoria do caso Master veio a público e expôs desconfianças internas sobre a possibilidade de o encontro ter sido gravado sem autorização. O vazamento, publicado inicialmente pelo site Poder 360 e repercutido por outros veículos, descreve falas atribuídas a vários magistrados com riqueza de detalhes, o que levou parte dos ministros a suspeitar que o colega Dias Toffoli, então relator do processo, pudesse ter registrado o debate.
A reunião ocorreu na quinta-feira (12), longe das câmeras, e terminou com o afastamento de Toffoli da condução do processo. Segundo a reportagem, a votação interna apontava maioria de 8 a 2 pela permanência do ministro, mas ele concordou em abrir mão da relatoria diante do compromisso de apoio unânime dos demais integrantes da Corte. A proposta de solução foi apresentada pelo ministro Flávio Dino.
Entre as declarações vazadas está a de Gilmar Mendes, que, de acordo com o Poder 360, atribuiu o desgaste de Toffoli a decisões desfavoráveis à Polícia Federal (PF) durante a tramitação do caso. “O que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”, teria dito Mendes.
Outras falas atribuídas aos magistrados reforçam o clima de tensão. A ministra Cármen Lúcia mencionou críticas ao Supremo ouvidas em conversas com taxistas e ponderou sobre a imagem institucional da Corte. Já Luiz Fux, ainda conforme o vazamento, declarou voto irrestrito em favor de Toffoli: “Para mim, ele tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Não sei o que vocês estão discutindo”. Dino, por sua vez, teria classificado o material de 200 páginas entregue pela PF como “lixo jurídico”.
Horas antes do encontro geral, um grupo reduzido de ministros reuniu-se no gabinete de Alexandre de Moraes. Ali, Moraes e Gilmar Mendes manifestaram intenção de manter Toffoli na relatoria, enquanto Cármen Lúcia e Edson Fachin defenderam sua saída, o que indicava um impasse que acabou resolvido no plenário na sexta-feira (13).
Após a decisão, Toffoli afirmou publicamente que o resultado foi unânime e elogiou o “excelente” ambiente da discussão. Internamente, contudo, a precisão das citações divulgadas levantou o temor de que a reunião tivesse sido registrada. O ministro negou ter feito qualquer gravação e afirmou manter discrição em encontros desse tipo.
Com o afastamento de Dias Toffoli, a relatoria do caso Master foi redistribuída por sorteio e acabou nas mãos do ministro André Mendonça. A troca foi justificada pelos próprios integrantes do STF como forma de preservar a “institucionalidade” do tribunal e reduzir a pressão externa sobre o processo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
