O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (12), um aporte de R$ 131,9 milhões para fortalecer e expandir a rede pública de cuidados de saúde em 11 municípios do Espírito Santo. As cidades foram diretamente impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que ocorreu no ano de 2015.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que os recursos são fruto de um acordo judicial com as empresas consideradas responsáveis pelo desastre ambiental. A renegociação envolveu o Poder Público e as mineradoras Samarco, Vale e BHP, acionistas da barragem, visando reparar os danos e investir na recuperação das comunidades afetadas.
Novo Acordo do Rio Doce e Destinação de Verbas
Padilha destacou que o plano de ação faz parte do “Novo Acordo do Rio Doce” e prevê uma série de iniciativas estruturantes. Estas ações concentram-se no fortalecimento da infraestrutura de saúde, na vigilância epidemiológica e ambiental, na assistência aos pacientes, na implementação de soluções de saúde digital, além de programas de ensino, formação profissional e gestão dos serviços de saúde.
A maior parte do montante, totalizando R$ 82,55 milhões, será especificamente destinada à expansão da infraestrutura física de saúde nos municípios capixabas. Este investimento visa modernizar e ampliar as instalações para garantir um atendimento mais adequado à população.
Projetos de Infraestrutura e Atendimento Especializado
Entre os projetos planejados, figura a construção de um novo complexo hospitalar na cidade de Colatina, no Espírito Santo. A rede de saúde mental também será reforçada com a criação de mais quatro Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O plano inclui ainda a implantação de dois novos centros de especialidades odontológicas e a aquisição de equipamentos de ponta para dois centros especializados em reabilitação, aprimorando a capacidade de tratamento e recuperação.
Os recursos liberados beneficiarão diretamente os moradores dos municípios de Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama, que continuam a sentir os efeitos do desastre.
Impacto do Complexo Hospitalar de Colatina
O Complexo Hospitalar de Colatina terá uma função estratégica, conforme o ministro, ao atender não apenas as demandas gerais, mas também problemas de saúde específicos da região. Ele será especializado no acompanhamento de doenças crônicas que podem estar relacionadas à contaminação da água. Entre os benefícios esperados estão a ampliação da oferta de cirurgias eletivas, a implementação de um plano de intervenção para doenças hematológicas, hipertensão e diabetes, com foco nas populações quilombolas, e uma linha de cuidado integral desenvolvida para idosos frágeis.
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, esteve presente em Brasília para a cerimônia de assinatura que aprovou o plano e liberou os fundos federais. Casagrande afirmou que, com esses investimentos, “teremos em todos os municípios atingidos estrutura para ofertar cirurgias eletivas e outros serviços na área da saúde, como o acompanhamento de pessoas com desenvolvimento atípico”.
Avanços na Vigilância Ambiental e Toxicológica
O governo federal também informou que a vigilância ambiental e toxicológica no Espírito Santo será fortalecida. Isso se dará pela reestruturação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que terá sua capacidade ampliada para a análise de metais pesados e diversas matrizes ambientais. Adicionalmente, haverá uma expansão das equipes dedicadas à vigilância ambiental, epidemiológica e à saúde do trabalhador, visando um monitoramento mais eficiente e abrangente das condições sanitárias e ambientais nas áreas afetadas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google Notícias
