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Endometriose: Combate ao silêncio ganha reforço legal no Brasil

Milhões de brasileiras enfrentam silenciosamente a endometriose, uma doença que causa dor incapacitante e pode afetar a fertilidade. Historicamente subestimada como um “desconforto natural”, essa condição, que atinge cerca de 7 milhões de mulheres em idade reprodutiva, agora recebe atenção reforçada com a implementação de leis federais e estaduais, buscando romper o ciclo de diagnóstico tardio e tratamento inadequado. Mato Grosso, em particular, avança com uma legislação própria para fortalecer a luta.

A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido similar ao que reveste o interior do útero (endométrio) fora de sua cavidade. Esse tecido pode se alojar em ovários, trompas, intestinos e até mesmo na bexiga. Durante cada ciclo menstrual, esses focos de tecido inflamatório reagem às alterações hormonais, provocando dor intensa que compromete a qualidade de vida da mulher, impedindo-a de realizar atividades diárias, como trabalhar ou estudar.

Apesar da gravidade dos sintomas, a jornada para o diagnóstico correto da endometriose é frequentemente longa e tortuosa. No Brasil, estima-se que as mulheres levem, em média, de sete a dez anos para receberem a confirmação da doença. Esse atraso é considerado inaceitável, prolongando o sofrimento e dificultando a intervenção precoce. Embora ainda não haja uma cura definitiva, os tratamentos disponíveis visam controlar os sintomas, conter a progressão das lesões e preservar a fertilidade.

Legislação Federal e Estadual Atuam contra a Endometriose

Em reconhecimento à necessidade urgente de conscientização e apoio, o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose foi instituído em 13 de março pela Lei Federal nº 14.324/2022. Essa mesma legislação estabeleceu a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, com foco na disseminação de informações, no incentivo ao diagnóstico precoce e na orientação sobre as opções terapêuticas existentes.

Complementando a iniciativa nacional, o estado de Mato Grosso deu um passo significativo com a aprovação da Lei nº 13.065/2025. Proposta pelo deputado estadual Max Russi, atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a legislação reforça o compromisso de combate à doença. Ela busca expandir as ações de conscientização e exigir do poder público respostas efetivas para as mulheres mato-grossenses, garantindo que suas necessidades de saúde sejam atendidas de forma concreta.

O objetivo central dessas normativas é encurtar o tempo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico preciso. Para isso, as leis visam fortalecer a capacitação dos profissionais de saúde, combater o estigma social que ainda envolve a endometriose e ampliar o acesso a exames especializados, além de tratamentos complexos, incluindo cirurgias de alta complexidade disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A saúde da mulher é um pilar fundamental para a estrutura de famílias e comunidades. Quando uma mulher é afetada por uma doença que permanece invisível ou negligenciada, o impacto se estende a todos ao seu redor. As políticas públicas em vigor são consideradas passos cruciais para retirar a endometriose da sombra do tabu, promovendo um olhar mais respeitoso e humano para as necessidades femininas.

Diante da persistência de dores pélvicas ou outros sintomas que limitam a rotina, a busca por auxílio médico é fundamental. Escutar o próprio corpo e procurar um profissional de saúde são atitudes essenciais para um diagnóstico e tratamento adequados. A legislação atua como um suporte, mas a iniciativa individual é o primeiro passo para o cuidado.

Em Mato Grosso, a lei estadual demonstra o alinhamento com os esforços nacionais para o enfrentamento da endometriose. O objetivo é assegurar um diagnóstico mais ágil, um tratamento humanizado e a implementação de políticas públicas que priorizem a saúde e o bem-estar das mulheres.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo

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