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Coluna aponta contradição de Luiz Fux em julgamento sobre tentativa de golpe

Em texto publicado no Blog do Noblat, no portal Metrópoles, o jornalista Ricardo Noblat afirma que o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu de forma contraditória ao votar em investigações sobre a suposta tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a aliados militares.

Segundo a coluna, Fux declarou que o STF não seria o foro adequado para analisar o caso, mas, mesmo assim, aceitou denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República e votou pela condenação de dois investigados: o tenente-coronel Mauro Cid, delator das articulações, e o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa. O voto também contou com o apoio dos ministros André Mendonça e Nunes Marques.

Noblat destaca que, na avaliação do ministro, haveria provas suficientes para responsabilizar Cid e Braga Netto por um crime, embora a Corte não fosse, na ótica do próprio Fux, o local apropriado para julgar o tema. Ainda conforme o texto, o magistrado se manteve contrário a imputar participação direta de Bolsonaro na trama golpista.

Repercussão interna e prazo de aposentadoria

O colunista relata que o gesto de Fux teria deixado os demais ministros expostos a pressões de grupos da extrema-direita e a possíveis retaliações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, citado como inspiração de parte desses segmentos políticos. A possível perda de apoio interno é apontada como um efeito colateral da decisão.

Luiz Fux completará 75 anos em abril de 2028, idade-limite para permanência no STF. Até lá, permanecerá no cargo, mas, de acordo com o artigo, já não contaria com a mesma camaradagem dos colegas por ter, na visão de Noblat, “jogado-os às feras” ao manter posição divergente.

Possível futuro fora da Corte

A coluna também menciona comentários atribuídos a pessoas próximas a Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro. Esses interlocutores enxergariam em Fux um nome “viável” para disputar cargos eletivos após a saída do tribunal. O jornalista, no entanto, avalia que o magistrado tenderia a atuar em consultoria jurídica, setor considerado mais lucrativo e com menor exposição eleitoral.

Noblat acrescenta que Fux tem costume de caminhar no calçadão de Ipanema, zona sul do Rio, onde aprecia ser reconhecido. Entretanto, devido ao suposto desgaste com eleitores bolsonaristas, Copacabana – ponto de encontro frequente de apoiadores do ex-presidente – poderia tornar-se trajeto mais “seguro”, observa o colunista.

Ao final, o jornalista faz referência ao discurso de 1968 que levou à edição do Ato Institucional nº 5, sustentando que o comportamento de Fux teria ignorado “escrúpulos” ao aceitar o processo, apesar de negar a competência do Supremo para julgá-lo.

Procurado, o gabinete do ministro Luiz Fux ainda não se manifestou sobre os pontos levantados na coluna.

Da Redação do Mato Grosso Ao Vivo | Com informações de Metrópoles

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