O Brasil aparece novamente entre os dez países mais perigosos do planeta em 2025, de acordo com o relatório mais recente do Índice Global de Conflitos, divulgado nesta quinta-feira pela organização não governamental ACLED (Armed Conflict Location and Event Data Project).
O estudo posiciona o país na sétima colocação no ranking mundial de periculosidade. A classificação considera quatro critérios principais: mortalidade causada por violência, risco direto para civis, extensão territorial dos conflitos e atuação de grupos armados.
Metodologia do relatório
Para chegar aos resultados, a ACLED reúne e analisa dados globais sobre manifestações, confrontos, ataques direcionados e outros eventos violentos. O levantamento engloba registros oficiais, reportagens locais e informações de campo coletadas por parceiros da entidade. Cada incidente recebe pontuação conforme gravidade e frequência, o que resulta em uma avaliação consolidada da situação de segurança de cada nação ao longo do último ano.
No caso brasileiro, o relatório indica que a combinação de letalidade elevada, presença de facções criminosas em diferentes regiões e disseminação de armamentos contribuiu decisivamente para o avanço no ranking. A ONG ressalta ainda que conflitos territoriais entre organizações criminosas e forças de segurança ampliam o risco para a população civil.
Preocupação de autoridades e sociedade
O retorno do Brasil ao grupo dos dez países mais perigosos reforça o alerta de especialistas em segurança pública. Organizações da sociedade civil destacam que a escalada de confrontos armados afeta diretamente indicadores sociais, econômicos e de saúde pública, além de pressionar os sistemas de justiça e segurança.
Autoridades federais e estaduais reconhecem a gravidade do cenário. Em notas oficiais, secretarias de Segurança Pública afirmam que investem em estratégias de policiamento integrado, programas de prevenção e ações de inteligência para enfrentar o avanço da criminalidade organizada. No entanto, analistas ouvidos pelo relatório apontam que a eficácia dessas medidas depende de coordenação abrangente, recursos suficientes e continuidade das políticas.
Comparação internacional
Embora esteja na sétima posição, o Brasil não lidera a lista. O Índice Global de Conflitos identificou países em situação de guerra civil ou sob forte presença de milícias armadas em patamares mais críticos. Ainda assim, a inclusão brasileira entre os dez primeiros é vista como sinal preocupante, especialmente porque o país não enfrenta conflito armado formal.
O documento da ACLED recomenda reforço em programas de desarmamento, investimentos em educação básica e ações de redução de desigualdades como passos essenciais para conter a violência estrutural. O relatório também sugere estreitamento da cooperação internacional para combater o tráfico de armas e drogas, apontado como vetor de parte significativa dos confrontos internos.
Especialistas consultados pelo estudo alertam que, caso não haja uma queda consistente nos índices de homicídios e no número de eventos violentos monitorados, o Brasil pode permanecer ou até subir posições no ranking nos próximos anos, agravando impactos sociais e econômicos.
Apesar dos esforços anunciados, o levantamento da ACLED indica que os resultados ainda não foram suficientes para retirar o país do grupo de maior risco global, mantendo autoridades públicas sob pressão por respostas mais efetivas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
