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Aprosoja-MT aponta riscos em acordo Mercosul–UE

Cuiabá – O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, avaliou nesta quarta-feira (14) que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia apresenta mais ameaças do que ganhos imediatos para o agro brasileiro, sobretudo para Mato Grosso.

Na visão do dirigente, as barreiras ambientais impostas pelo bloco europeu mantêm os produtores nacionais em desvantagem competitiva. “Apesar do discurso de livre comércio, a Europa mantém exigências que não existem em seus próprios países”, afirmou.

Mercado limitado para grãos

Segundo Beber, os efeitos diretos sobre a soja tendem a ser restritos, pois o mercado europeu responde por 14% das exportações brasileiras do grão. Ele alerta, porém, que setores como pecuária e cadeia leiteira podem sofrer mais com a entrada de produtos europeus sem barreiras equivalentes no Brasil.

Regulamento Antidesmatamento preocupa

A principal inquietação é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), em vigor desde 2020. “Mesmo áreas desmatadas legalmente no Brasil após 2020 não têm compra garantida pela Europa; ficamos em desvantagem”, disse Beber. O produtor brasileiro, lembra ele, é obrigado a manter reservas legais dentro da propriedade, exigência inexistente em países europeus ou norte-americanos.

Para o presidente da Aprosoja-MT, o acordo pode ser negativo no curto prazo até que ajustes sejam feitos. Ele defende rastreabilidade fiscal e logística paralela para mercados específicos, a fim de evitar restrições generalizadas semelhantes à Moratória da Soja, encerrada recentemente. “O Brasil não pode repetir o mesmo erro”, frisou.

Legislação brasileira já reduziu desmatamento

Beber sustenta que a queda do desmatamento foi alcançada principalmente por normas internas, como a Lei de Crimes Ambientais de 1998, o Decreto de 2008, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Código Florestal. Ele afirma que a Moratória da Soja “trouxe impactos negativos para a imagem do país”, alegando que resultados ambientais foram superestimados no exterior.

Cenário internacional beneficia e pressiona

O dirigente lembra que disputas comerciais entre Estados Unidos e China abriram espaço para o Brasil ampliar participação em mercados antes dominados pelos norte-americanos. Em 2019, Mato Grosso plantava 9,6 milhões de hectares de soja; hoje são cerca de 13 milhões, crescimento atribuído a melhorias logísticas e demanda externa.

Para a próxima safra, contudo, a expectativa é de queda de 10% na produtividade, o que deve reduzir a produção total do estado. “Se considerarmos apenas a soja, o produtor opera no vermelho, principalmente pelas altas taxas de juros”, afirmou. Segundo ele, a rentabilidade tem sido garantida pela segunda safra: “O milho ainda ajuda a fechar a conta”.

Imagem do agro em debate

Beber concluiu que o principal desafio é fortalecer o diálogo internacional para melhorar a percepção do agronegócio brasileiro. Ele classifica as exigências ambientais impostas ao país como “barreiras econômicas disfarçadas”.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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